sexta-feira, 13 de abril de 2012

dia do beijo


Não sei quem foi o desocupado que instituiu o Dia do Beijo. Sim, há uma data oficial para o beijo: 13 de abril. Com qual objetivo, ignoro. Assim como também ignoro outras tantas invencionices destrambelhadas cometidas pelo homem. Logo, vão criar dias comemorativos para o bocejo e o soluço. Depois, não digam que não avisei.

Consta que um único beijo movimenta 29 músculos: 12 dos lábios e 17 da língua. Beijar na boca também queima calorias, acelera o batimento cardíaco e libera um hormônio chamado serotonina, que melhora o humor e produz uma sensação de bem-estar e felicidade. Essa é a boa notícia. A má, de acordo com pesquisadores, é que cerca de 250 espécies diferentes de vírus e bactérias, argh, são transmitidas através do beijo. Por isso, nada de sair por aí metendo a boca onde não deve.


Ninguém sabe ao certo a origem do beijo. Alguns acreditam que tenha surgido na Índia, há aproximadamente 4.500 anos. Charles Darwin falava que o beijo era uma evolução das mordidas que os macacos aplicavam no parceiro antes do ato sexual. Uma terceira teoria aponta as raízes do beijo no modo como as mães alimentavam seus filhos ainda na pré-história: com a boca. Os mais românticos, porém, juram de pés juntos que quem inventou o beijo foi Hollywood. Em parte, estão certos. Ao transformar o ósculo em alegoria de final feliz, o cinema norte-americano fez milhares de moçoilas ingênuas acreditarem que, com um beijo, poderiam converter qualquer sapo barrigudo em príncipe encantado. Fez mais: introduziu o “beijo francês” (de língua) em culturas em que ele não fazia parte das tradições locais, como entre asiáticos e árabes.


Ao contrário do romantismo hollywoodiano, para o poeta Augusto dos Anjos (1884-1914), “o beijo é a véspera do escarro” e “a mão que afaga é a mesma que apedreja”. Jesus devia pensar o mesmo. Afinal, foi com um beijo que Judas dele se despediu antes de vendê-lo aos romanos. Estes, por sua vez, adoravam beijar, e tinham três palavras distintas para definir o beijo: osculum (solene, no rosto), basium (de afeição, nos lábios) e suavium (apaixonado, dos amantes).

Ali na Idade Media, a sempre intransigente Igreja Católica proibiu o beijo que tivesse qualquer relação com o prazer sexual. Nesse período, os nobres – e também os clérigos – tinham o costume de se cumprimentar com um leve beijo nos lábios. Somente no século 17 o contato labial foi substituído pelo abraço.


Ao longo do tempo, e em diversas civilizações, o beijo teve significados diferentes. Na Rússia, o beijo do czar era a mais alta forma de reconhecimento oficial. Na Escócia, os padres tinham o costume de beijar os lábios da noiva ao final da cerimônia de casamento. Os escoceses acreditavam que a felicidade conjugal dependia dessa bênção em forma de beijo. No século 15, aos nobres franceses era permitido beijar qualquer mulher; já os italianos eram obrigados a se casar com aquela que beijavam em público. No idioma dos esquimós, a palavra que significa beijar também quer dizer cheirar. Daí o “beijo de esquimó”, em que se esfrega um nariz no outro. No nordeste brasileiro, cheiro também é sinônimo de beijo. Há povos, no entanto, que não querem saber dessa manifestação de afeto. Os tongas, por exemplo, membros de uma tribo que vive no sul da África, acham o beijo repugnante. Assim como um grupo de norte-americanos que, em 1909, criou a Liga Anti-Beijo, por considerar o contato dos lábios prejudicial à saúde.

Fotos: Rankin

Quando escreveu que “as almas se encontram nos lábios dos enamorados”, o poeta inglês Percy Bysshe Shelley (1792-1822) vivia numa época em que o beijo ainda selava compromissos amorosos. De lá para cá, muita coisa mudou, e o beijo, principalmente entre os jovens, se banalizou, virou competição. “Ficar”, na linguagem adolescente, é beijar muito na boca – e quanto maior o número de bocas, melhor.

Íntimo e pessoal, acho que o beijo merecia tratamento menos vulgarizado, assim como fazem as putas. Sábias, elas negociam qualquer peripécia sexual, por mais escabrosa que seja. Mas o beijo, meu caro, elas não vendem nem a pau.             

3 comentários:

  1. Esses frecos devia tomar Vergonha na cara

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  2. É verdade aquelas lesbricas também

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  3. Riiie tamto com os velhinos kkkkkkkkkkkkkkk gostei ,feliz natal Para todos akeles velhos vão beijar muito esse natal kkkkkkkkkkkkkkkk ate baixei a foto Para meu tablet

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