quarta-feira, 4 de abril de 2012

digitus infamis

Foto: Patrick Tsai & Madi Ju

o mundo não começa quando a gente nasce. 

quando a gente nasce, o mundo já estava aí há milhares de anos, e somos nós que precisamos aprender seus códigos para sobreviver nele.

no dia em que despenquei por aqui, em 24 de dezembro de 1900 e bolinhas, ainda não existia telefone celular nem internet, mas já havia, por exemplo, o “digitus infamis” – ou “dedo obsceno”.

como várias outras coisas que incorporei ao longo da vida, não lembro em que momento ergui o dedo médio pela primeira vez para mandar alguém se foder. É como se eu tivesse nascido sabendo fazer esse gesto e qual o significado dele.

não, eu não vim ao mundo com o dedo médio em riste, mandando as pessoas se foder. Eu aprendi. E li no site da revista Mundo Estranho que esse gesto “é uma variação de uma estratégia agressiva de alguns primatas, que mostravam o pênis ereto a seus inimigos como forma de intimidá-los.”

segue o texto:

Mais civilizado, o homem teria substituído o bilau pelo dedo erguido para ofender alguém. Um dos primeiros registros escritos desse costume mal-educado aparece no ano 423 a.C., quando o poeta grego Aristófanes escreveu a peça As Nuvens. Em um dos diálogos, o personagem Estrepsíades faz uma piada comparando o dedo do meio ao pênis. No livro Gestures, their Origin and Distribution (Gestos, sua Origem e Distribuição), o zoólogo britânico Desmond Morris sustenta que o imperador Calígula chocava os súditos obrigando-os a beijar seu dedo do meio em vez de sua mão. Uma tremenda humilhação.”

hoje, o “digitus infamis” é gesto quase universal, usado de maneira corriqueira na maioria das sociedades. Eu uso. Você também deve usar. E num país como o Brasil, onde respeitar o próximo, o espaço do próximo, é exceção, nunca a regra, foder com o outro até sangrá-lo literal ou simbolicamente é mania nacional.

por isso, sempre ergo meu "dedo obsceno" para todos aqueles que tentam ocupar o metro quadrado alheio com sua má educação.       

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