segunda-feira, 2 de abril de 2012

eu, eu mesmo e a humanidade


necessito mentir. A toda hora, em toda situação.

minto para sobreviver; minto para camuflar as verdades sobre mim.

se não mentisse, se não enganasse a mim mesmo, se não me sabotasse, já estaria queimando no quinto dos infernos.

esse que você vê, esse com quem você fala, esse que perambula pelo mundo sorrindo para agradar, esse não sou eu.

esse é apenas a versão light e higiênica de mim – uma versão que costumo usar no elevador para não aterrorizar a vizinha espaçosa do 54.

ah, se a vizinha espaçosa do 54 soubesse o que realmente penso sobre ela e seus gritos histéricos em horários inapropriados...

todos somos sinceros quando estamos sozinhos. Mas basta estarmos em dois ou mais para começarmos a mentir, a interpretar, a fazer de conta que estamos preocupados com o futuro da humanidade.

balela.

eu sei, você também deve saber, que, no fundo, somos egoístas demais para nos importarmos de fato com qualquer coisa além do nosso cercadinho.     

mas pega mal dizer isso. Pega mal assumir que estamos mais preocupados mesmo é em lamber a nossa própria caceta. Por isso, necessitamos mentir, necessitamos convencer a nós mesmos e aos outros que temos “bom coração”. 

você, eu não sei. Mas eu, se tivesse que escolher entre mim e a humanidade, escolheria viver cheio de grana em algum lugar frio e civilizado.

afinal, se eu não me escolher, quem vai? Você? Duvido.

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