quarta-feira, 25 de abril de 2012

a ingratidão (ou a história de um rim doado)


você deve ter lido a história da Debbie, a mulher que doou um rim para salvar a vida da sua chefe, Jackie, e depois foi demitida pela própria Jackie por faltar ao trabalho alegando problemas de saúde.

coitada da Debbie: perdeu um rim e o emprego.

(se ainda não leu a notícia, leia aqui)

a imprensa tratou o caso como se fosse algo “surpreendente”, “inacreditável” e até “monstruoso”. Pode ser. Pode ser que Jackie seja mesmo uma monstra ingrata e insensível. Mas também pode ser que Debbie tenha achado que ganharia “tratamento privilegiado” devido à sua doação, como alega Jackie. Como saber?  

se alguém salva a minha vida, serei grato a esse alguém para sempre. Mas e se esse alguém resolve usar a sua boa ação para se aproveitar de mim? Devo me submeter? Devo me tornar refém desse alguém que salvou a minha vida?

questão complicada, não?

sim, acredito no altruísmo, em pessoas que fazem o bem sem esperar nada em troca. E esse pode ser o caso de Debbie. Mas, pra ser sincero, acredito mais no egoísmo, em pessoas que agem por interesse próprio.

sempre que ajudamos uma pessoa, esperamos que essa pessoa seja eternamente grata a nós. Até aqui, nada demais. Isso é o mínimo que se espera de alguém que é ajudado.

o problema é quando achamos que essa pessoa, por estar "em dívida" conosco, deve estar o tempo todo à nossa disposição, obedecer às nossas vontades, atender imediatamente aos nossos chamados. 

em casos assim, não queremos gratidão, queremos "escravizar" o outro. 

e eu nem sei o que é pior: ser ingrato com quem nos ajudou (e esse pode ser o caso de Jackie) ou ajudar alguém e, depois, cobrar essa ajuda com juros de agiota. 

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