segunda-feira, 30 de abril de 2012

longe deste insensato mundo

 Masafumi Nagasaki

Brendan Grimshaw

dois homens, duas solidões, um mesmo desejo realizado: viver sozinho e recluso em uma ilha deserta.

o primeiro a surgir no noticiário foi o japonês Masafumi Nagasaki, de 76 anos, que vive há 20 isolado e nu na ilha de Sotobanari. A ilha fica à oeste de Okinawa, no Japão. Masafumi faz apenas uma viagem por mês de volta à civilização, em busca de comida e água fresca. Passa o resto do tempo longe de tudo.

o outro “solitário” é Brendan Grimshaw, um britânico de 86 anos que mora sozinho há quatro décadas na ilha de Moyenne, no arquipélago de Seychelles, no oceano Índico. Brendan comprou a ilha pelo equivalente a R$ 24 mil e, lá, cuida de 120 tartarugas que já estiveram à beira da extinção.

nem Masafumi nem Brendan querem deixar os lugares onde resolveram se instalar. Brendan, vale informar, já recusou ofertas milionárias para vender a sua ilha.   

fiquei cá com o meu tédio pensando se teria coragem de tomar decisão assim tão radical: largar tudo, jogar tudo para o alto, mandar tudo para o inferno e me refugiar sozinho numa ilha deserta.

fiquei pensando qual solidão seria mais brutal. Esta, da cidade, onde “os bares estão cheios de almas tão vazias” (Criolo). Ou a solidão de viver longe deste insensato mundo, sem ninguém por perto para esfregar sua “bunda alegre” na minha cara.
 
não sei.

mas creio que Masafumi e Brendan são mais felizes do que nós. Ao menos, devem ter se livrado dos desejos que nos movem e nos frustram a cada dia. Desejos de amor, de afeto, de dinheiro, de elogios, de um celular de grife, de "subir na vida", de ser "o melhor", de construir uma carreira, de receber muitos "curtir" no Facebook.   

estão lá, isolados mas aparentemente tranquilos, sem a necessidade doentia do ser humano de competir e provar para os outros que são "pessoas realizadas".

queria ter esse desprendimento e essa coragem.      

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