domingo, 22 de abril de 2012

na derrota, somos todos iguais


é verdade, a mais absoluta verdade: o brasileiro não suporta o sucesso alheio. Basta alguém ficar famoso, ganhar dinheiro, mostrar-se bom em algo, e os ressentidos começam a torcer contra, a urubuzar.

eis um exemplo revelador. 

sábado (21/04), o Barcelona, o melhor time de futebol do planeta na atualidade, perdeu para o Real Madrid. Lendo os comentários dos leitores sobre a derrota da equipe catalã, percebe-se nitidamente aquela dor de cotovelo típica dos invejosos. “Esse time é uma farsa”, escreveu um. “Cadê o Messi e os intragáveis catalães?”, perguntou outro.

ora, Messi é “só” três vezes consecutivas eleito o melhor jogador do mundo e “os intragáveis catalães” são os atuais campeões mundiais.

perder faz parte. E não é uma ou duas ou três derrotas que vai anular o futebol bonito praticado pelo Barcelona.   

mas, no Brasil, como bem disse Tom Jobim, “o sucesso é ofensa pessoal”. E sentindo-se ofendidos pelo sucesso dos outros, os ressentidos babam de ódio e, em vez de reconhecer e admirar os melhores, preferem vê-los derrotados.

é aquela história: se eu não posso, você também não; se eu sou um fracassado, você também deve ser; se o mundo foi injusto comigo, que seja injusto com todos. 

afinal, na derrota, somos todos iguais. E podemos dormir tranquilos, abraçados à nossa mediocridade, sem um Barcelona para nos lembrar que podíamos ser melhores.
 

2 comentários:

  1. "E podemos dormir tranquilos, abraçados à nossa mediocridade, sem um Barcelona para nos lembrar que podíamos ser melhores." excelente, marcos!

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  2. definição de INVEJA, no livro... INVEJA, do Zuenir Ventura -> "inveja é não querermos que o outro tenha o que a gente não tem... (...) por isto o ladrão revira a casa e não apenas rouba, por isto a pessoa risca o carro da outra. Eu não tenho, então que o outro não tenha"

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