segunda-feira, 2 de abril de 2012

os pequenos tiranos


semana passada, assisti a um seminário sobre o crack, onde políticos, médicos, ex-esportistas apresentaram propostas, ideias e projetos para combater essa droga.

ao final de cada debate, o público presente no local podia fazer perguntas para os palestrantes. Alguém – não sei quem, porque as questões eram escritas, sem necessidade de identificação – argumentou que “a mídia é destrutiva” e perguntou se não seria o caso de tomar certas providências. Ou seja: esse alguém aí sugeria algum tipo de cerceamento da liberdade de expressão.

ontem (01/04), no programa “De Frente com Gabi”, do SBT, foi a vez do cantor Sidney “Sandra Rosa Madalena” Magal dizer que o Brasil não está preparado para tanta liberdade, dando a entender que não acha legal esse ambiente livre onde todos têm o direito de “ir e vir”. Para Magal, “liberdade demais é perigoso”.

Gabi comentou que o cantor provavelmente ganharia mais “seguidores” com tal declaração, já que muitos brasileiros também pensam assim.

eu achava que não. Mas parece que o número de pequenos tiranos realmente está crescendo no país. E isso, sim, é perigoso, Magal.

em nome da “moral e dos bons costumes”, da “tradicional família brasileira”, do “politicamente correto”, há uma turma cada vez mais assanhada de “bolsonaros” que defende a censura, a proibição, a mão de ferro do Estado. 

gente que quer controlar o que os outros podem ou não fazer, ver, pensar.

olha, se algo não te agrada, você tem o direito de repudiar. Se você se sentiu ofendido por algo ou alguém, tem o direito de pleitear indenização por danos morais. E cabe ao Judiciário verificar se houve desrespeito à sua dignidade.

mas você não tem o direito de decidir por mim, de se intrometer na minha vida, de querer impor as suas vontades tirânicas às demais pessoas. 

Sidney Magal, lá nos anos 1970/1980, escandalizou as beatas com o seu rebolado. Agora, vem com esse papo de que "liberdade demais é perigoso". 

sem liberdade, Magal, talvez você nem existisse como artista.
  

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