terça-feira, 3 de abril de 2012

toda maneira de amor vale a pena


escreve a jornalista Bety Orsini na introdução do livro “Toda Maneira de Amor Vale a Pena” (Editora Sextante, 192 páginas):

De diferentes origens sociais, profissões, religiões e situações financeiras, discretos ou extrovertidos, brancos ou negros, magros ou gordos, bem-humorados ou melancólicos, abrigando visões de mundo liberais ou conservadoras, nossos entrevistados estão muito distantes dos estereótipos que teimam em reduzir a identidade gay a apenas um dos aspectos que a constituem – a sexualidade.”

é verdade. Héteros, em sua grande maioria, quando pensam na homossexualidade, logo pensam em sacanagem e putaria. É como se ser gay fosse uma espécie de tara. Ignoram – ou fingem ignorar – que, “fora da cama”, somos pessoas comuns, vivendo as mesmas chateações cotidianas vividas por todo mundo.    

segue Orsini:

“É comum que os homossexuais sejam apontados como pessoas alegres, carismáticas, especialistas em sedução [...] Mas as relações homossexuais são tão diversas quanto quaisquer relações humanas – podem ser ternas, exageradas, platônicas, travadas, reservadas, grupais, sadomasoquistas...”.

sim, as relações homossexuais podem ser tudo isso e muito mais. E o motivo é bastante simples: somos gays, mas não somos iguais – não temos os mesmos desejos, os mesmos planos, a mesma forma de encarar o mundo. Cada um é único gay ou não. 

“Toda Maneira de Amor Vale a Pena” reúne 20 relatos de gays e lésbicas que venceram o preconceito. Gente como André Fischer, do MixBrasil, Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), o casal André Ramos e Bruno Chateaubriand e o jogador de vôlei Michael.

a jornalista explica:

“Muitos tiveram que aguardar a idade adulta para entender o que acontecia com seu desejo; outros o fizeram ainda no início da adolescência, sem saber direito o que sentiam, ‘sabendo apenas que era bom’. Muitos enfrentaram a rejeição familiar e o bullying na escola, ficando com marcas permanentes (como as memórias do menino ‘diferente’ que tinha dor de barriga todo domingo à noite, véspera de aula); outros puderam contar com o apoio de parentes e amigos. De uma forma ou de outra, quase todos os entrevistados sofreram pressões, inclusive de si mesmos, para ser ’iguais a todo mundo’.”

o livro é composto por relatos diversos, mas que nada têm de extraordinários. Na verdade, são histórias que todo gay conhece ou vivenciou. O legal é que, ao entrevistar vários casais, Orsini mostra que, ao contrário do que pensam os preconceituosos, a paixão homossexual não está sempre ligada à lascívia e à volúpia. E mesmo que estivesse, qual o problema? De quem é o cu, afinal?  

Orsini esclarece:

“Gozos, gemidos e amores fugazes existem. Mas as entrevistas deste livro revelam principalmente casais preocupados com os sentimentos e as emoções, tratando seus parceiros com delicadeza e carinho. Amantes fogosos, sim, mas que acalentam o sonho de envelhecerem juntos. Dizer ‘eu te amo’, acompanhar o parceiro nas rotinas simples, planejar a adoção de filhos e a compra de uma casa fazem parte do dia a dia dos casais homossexuais, ainda que muitos não entendam isso.”

não entendem porque são burros ou porque não querem. Ainda ter que explicar, em pleno século 21, que os gays são pessoas normais como outras quaisquer é de foder.

ps. "Toda Maneira de Amor Vale a Pena" junta-se a outros dois livros com temática gay lançados recentemente: "A Imprensa Gay no Brasil", de Flávia Péret, e "Viagem Solitária", do transexual João Nery.  

para saber mais sobre o livro: Editora Sextante

Um comentário:

  1. bom dia, marcos! não tô conseguindo comentar lá no "viver é perigoso"... =(... e queria te mandar a música que casa com o seu texto:
    http://youtu.be/5Q9S-gGK93Q
    beijo!

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