domingo, 15 de abril de 2012

the walking dead e as multidões esfomeadas


sempre que vou a qualquer lugar em São Paulo, sinto que estou dentro da série “The Walking Dead”, sendo perseguido por uma horda de zumbis esfomeados.

como a gente sabe, mortos-vivos não têm cérebro. E as multidões também não. Agem por instinto e pela força física, atraídos apenas pelo “cheiro de comida”.

para conseguir um naco de carne humana, os zumbis derrubam o que encontram pela frente. Para conseguir um cachorro-quente ou um pastel na barraquinha mais próxima, as multidões atacam os desavisados com sua grosseria, pressa e urros aterrorizantes.

e por falar em “The Walking Dead”, a série continua ótima. Ontem, terminei de assistir aos 13 episódios da segunda temporada. Desta vez, a série vai mais fundo nos conflitos entre os sobreviventes do grupo liderado pelo policial Rick Grimes.

Rick é o “bom moço” que tenta manter alguma civilidade, ordem e senso de justiça em um mundo devastado e povoado por zumbis.

no lado oposto está o também policial Shane Walsh. Para Shane, a civilização acabou e, junto com ela, seus valores morais, éticos, blábláblá. Assim, para manter-se vivo em meio ao caos, vale qualquer coisa.

os outros personagens transitam entre esses dois modos de reagir à situação. E quem assiste à série também – ora concordando com Rick e acreditando que não podemos nos rebaixar à barbárie; ora debandando para o lado de Shane e aceitando que, para sobreviver, temos que matar quem ameaça a nossa segurança.

é uma questão complicada. 

mas, numa terra devastada como o Brasil, por exemplo, onde multidões de mortos-vivos nos cercam por todos os lados, ando mais tentado a agir como Shane e mandar à merda quem persegue os outros com sua Bíblia em riste.

no recente julgamento do STF sobre a legalização do aborto de anencéfalos, houve quem argumentasse contra dizendo que "Deus dá a vida e só Deus é quem pode tirar a vida".

cuidado, o Brasil está infestado de zumbis.
 

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