sábado, 12 de maio de 2012

entrevistei: Ellen Oléria

Ellen Oléria

Ela é atriz formada pela Universidade de Brasília (UnB), mas foi como cantora e compositora que conquistou a admiração do público e da imprensa e se tornou uma das artistas mais importantes do atual cenário musical brasiliense. Com voz poderosa, sorrisão no rosto, performance cheia de atitude, Ellen está há mais de 10 anos na estrada e combina ritmos brasileiros com soul music e levadas de jazz para criar um estilo musical próprio. Canta, segundo já declarou em entrevista, “o universo de uma negra, lésbica, criada no Chaparral, região entre Taguatinga e Ceilândia”. 

E que universo é esse, Ellen? “Sou uma pessoa solta no mundão que faz sua correria pra se manter viva. Acredito que a arte tem o poder de transcender o meu lugar de fala. É quando vejo os coros que se formam nos shows que percebo o quanto a música que faço tem um alcance maior que minhas próprias pernas ou meu estilo presente nas letras que escrevo. São pessoas muito diferentes de mim, gerações e cores diferentes, orientação sexual e nacionalidade diferentes, religiões e profissões diferentes. Na hora de cantar o refrão de ‘Feira da Ceilândia’, a cantora se dilui no coro que se forma. Música, levada, isso sim fica em primeiro plano.”

Ellen lança o DVD do disco Peça, lançado em 2009, ainda no primeiro semestre de 2012: “Estamos envolvidos em novas empreitadas. Falo no plural porque somos muitas mãos trabalhando na Carne Dura Produções. Em setembro de 2011, com apoio do Fundo de Arte e Cultura da Secretaria de Cultura do DF, gravamos o DVD Ellen Oléria e Pret.utu ao vivo, no Garagem. O DVD está em fase de finalização e devemos lançar ainda neste semestre. O repertório, claro, ficou por conta do disco Peça. Mas gravamos várias músicas inéditas e contamos com as participações de Emicida e de Hamilton de Holanda. Teremos outras presenças iluminadas, mas isso é surpresa! Além disso, há um projeto voz e violão que já estou gravando. Participo também da banda Soatá, onde misturamos as influências de cada integrante da banda, mas a presença de ritmos amazônicos no poderoso curimbó (instrumento de percussão do norte do Brasil) junto com o timbre da guitarra distorcida traz um ar de reinvenção pra música da banda. Estamos finalizando o disco.”

Ellen define sua música como “música brasileira ou farofada”. E cita um verso da canção “Luz Natural” como a cara de Brasília, cidade que alimenta muito o seu imaginário: “Entre as nuvens um ponto laranja/ Singular e belo como o canto de um cantador/ Que alcança na nota mais densa e cortante/ A alma sedenta que o observa cantar/ Ilumina”.


"Nós por Nós (com GOG)





"Tamborim Single" (com Aija Andrejeva) 
 
 "Feira da Ceilândia"    
 

 Acesse o site: Ellen Oléria

*Texto publicado originalmente na revista Brasil 21.

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