sexta-feira, 11 de maio de 2012

entrevistei: Érico San Juan


Caricatura do Érico


Érico San Juan é artista gráfico de Piracicaba, a cidade do interior paulista que ficou mundialmente famosa por suas pamonhas. Ainda lembro do homem da kombi anunciando pelas ruas: "Pamonhas, pamonhas de Piracicaba...". Mas nem tudo que vem dessa cidade é pamonha. Érico é caricaturista, cartunista, chargista. Do tipo que evita o virtuosismo "vazio, formal e conservador" e aposta numa pegada mais minimalista. Ele também escreve. E publica suas criações em seu blog. Por e-mail, entrevistei o Érico.     

Quem é você?
Que pergunta complicada! No meu registro de nascimento, fui chamado de Érico San Juan. Ao longo dos meus 36 anos, já fui chamado de coisas muito piores.

O que faz profissionalmente?

Caricaturas ao vivo em festas e eventos diversos. Caricaturas por encomenda.

Caricatura é...
Um espelho quebrado que o caricaturista coloca na frente da pessoa desenhada.

Charge é...

Uma propaganda gratuita de gente que não faz nada de graça.

A caricatura, em muitos casos, tem como objetivo expor o ridículo das pessoas, exagerando nas características mais marcantes. Você segue essa linha?
Sigo essa linha às vezes. Sou mais irreverente escrevendo. Nas caricaturas, pego leve, mas sem ser politicamente correto. Há quem rejeite até caricaturas "boazinhas". Tem neurótico às dúzias nesse mundão de Deus.

Alguém já reclamou de alguma caricatura que você tenha feito?

Uma única vez. E já foi suficiente para me deixar com insônia por dois dias seguidos. No terceiro dia, relaxei.

Você continua desenhando à mão?

Quando faço caricaturas ao vivo, em festas e eventos, continuo. Quando faço caricaturas para meu blog e para salões de humor, só desenho no computador, reproduzindo o traço "manual".

Em que momento você se "descobriu" caricaturista/chargista. Quando percebeu que era isso que queria?

Não existiu esse momento. Sempre desenhei. Quanto a isso se tornar um jeito de ganhar dinheiro e pagar as contas, foi desde os quinze anos. A bem da verdade, nunca consegui ganhar tanto assim. Gosto de escrever, de desenhar. Tenho tentado desenvolver um estilo como caricaturista sem me prender a esse estilo em três dimensões tipo Pixar, que eu acho vazio, formal e conservador. Mais um pouco, e meus queridos colegas acabam inventando a fotografia... de novo. Não é necessário, caramba! Detesto charge, não serve pra nada. Qualquer adolescente malcriado com um mínimo de fígado azedo consegue fazer. Evito esse formato de humor gráfico. Faço de vez em quando, por pura necessidade financeira.

Você desenhou muita "natureza morta" no decorrer dos seus estudos?

Se eu fosse mais vivo, teria feito, porque há uma demanda permanente por tais pinturas. O que não falta é zumbi pintando essas coisas.

Você tem um estilo definido? Qual é?

Tento ter. Não sei definir. Poderia te dar uma resposta conceitual, bem ao estilo bula de remédio. Mas não vou cometer essa indelicadeza.

Para ser um bom caricaturista/chargista, o fundamental é...

Ter bagagem, daquelas bem pesadas, que precisam de carregador e muito espaço no cérebro. Desenhar é secundário. Qualquer estudante aplicado faz bom uso da técnica. E o que mais tem por aí hoje em dia é estudante aplicado. Artista com visão de mundo consistente, que aceite dar a cara pra bater de verdade, é mais difícil de achar. Será que estou exigindo demais?

Por trabalhar com caricatura e charge, você faz muito uso do humor. Na sua opinião, qual o limite do humor?

Não posso falar pelos outros humoristas ou cartunistas. A minha noção de limite é flexível, depende da situação e do público-alvo. Mas isso é um critério pessoal. Humorista dando conselho é meio ridículo. Humor não é bem isso.

Acesse o blog: Érico San Juan

2 comentários:

  1. Parabéns Marcos, pela entrevista. Érico San Juan é daqueles caras que tem o total respeito da classe e também dos pamonheiros de Piracicaba, digo, dos piracicabanos e dos adotados pela cidade (e é este o meu caso).

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