terça-feira, 15 de maio de 2012

entrevistei: Maria Paula



Desde 2005, Maria Paula assina uma coluna na Revista do Correio, do jornal Correio Brasiliense. Em 2011, a atriz, humorista e apresentadora de TV resolveu reunir alguns desses textos em livro e lançou Liberdade Crônica (Editora Faces). “Sempre quis ser escritora. Mas só agora me senti pronta para dar esse passo”, contou Maria Paula em entrevista para a Brasil 21.
A obra é dividida em três capítulos. Atitude Caráter reúne crônicas que abordam problemas sociais e políticos do país. “É o mais pesado”, avisa a autora. Em seguida vem Atitude Afeto: “Esse é o meu preferido. É mais suave. Nele, eu falo da importância da família e de como devemos nos relacionar amorosamente com as pessoas.” O livro termina com Mulher de Atitude, trecho dedicado ao universo feminino. “Escrevo sobre o papel da mulher na história, do momento atual da mulher na sociedade e da possibilidade de envelhecer com dignidade.”
 Envelhecer com dignidade, segundo ela, é envelhecer sem intervenções estéticas que “acabam deformando o rosto e o corpo das mulheres”. Para a escritora, “é inadequado você querer aparentar ter 20 anos quando tem 40, 50 e até 60.”
Pergunto se o humor está presente nos textos. “O humor faz parte da minha vida. Tem alguns textos que são mais engraçados que outros. Mas o humor não é o foco do livro.” Maria Paula integrou a trupe do Casseta & Planeta por 17 anos. Em 2011, anunciou sua saída. Motivo: dedicar-se a novos projetos. Um deles era o lançamento de Liberdade Crônica. O outro acontece durante o primeiro semestre de 2012: as gravações, em Nova York, da sequência do filme De Pernas Pro Ar, que levou 3 milhões de espectadores aos cinemas. “Depois, eu quero me concentrar em algum novo programa para a TV.”
Maria Paula Fidalgo nasceu em Brasília. Morou na cidade até os 17 anos, quando se mudou para São Paulo para estudar. Ela é formada em psicologia. Em 1989, estreou na televisão como VJ da MTV. Quatro anos depois, foi contratada pela Globo para apresentar o game-show Radical Chic. Dali, foi chamada para fazer parte do Casseta & Planeta. No início, sua participação era mínima. Com o tempo, foi conquistando espaço e virou “a oitava Casseta”. Hubert, em entrevista para a Rolling Stone, salientou a importância que a atriz desempenhou no humorístico ao longo desses anos: “Maria Paula é insubstituível.”
Os pais e irmãos da atriz continuam morando em Brasília. Por isso, ela volta com frequência para sua cidade natal. Sobre o brasiliense, define: “Acho um povo inteligente e interessante. Muito da minha trajetória tem a ver com o fato de eu ter nascido e ter sido criada em Brasília. Entrei na faculdade com 16 anos e me formei com 21. É uma característica bem brasiliense, onde muitas pessoas têm curso superior, mestrado, doutorado, e são mais focadas, com uma abordagem mais profunda, mais intelectualizada da vida.”
Lembrando da época em que morou na capital federal, ela conta que a cidade era relativamente pequena e, por esse motivo, “muito prazerosa e tranquila de viver”. De lá para cá, Brasília mudou, cresceu, virou metrópole. “Agora, acho que não é mais assim.”
Maria Paula tem planos de lançar um romance. “Mas não tenho nada pronto. No ano que vem, começo a me concentrar no próximo livro.”
A atriz também realiza projetos sociais. “A minha imagem é muito popular. O Casseta & Planeta me deixou bastante próxima desse público da periferia, e eu não quero perder isso. Quero usar essa ponte para fazer palestras gratuitas, conversar com as mulheres sobre superação de traumas, sobre ter uma postura positiva para evitar doenças e desequilíbrios emocionais – e levar cultura e literatura para essas pessoas.”
Maria Paula é assim: mulher de atitudes.

* Texto publicado originalmente na revista Brasil 21.

Nenhum comentário:

Postar um comentário