quarta-feira, 9 de maio de 2012

mais amor | menos motor


Foto: Yang Yongliang

FAIXA DE SEGURANÇA. Faixa de pedestres. Passagem de peões. Ou passadeira. Quem a respeita? Quem peita atravessá-la de olhos vendados? De olhos vendados estamos todos nós que não somos capazes de enxergar o óbvio: ululante anestesiante gritante. Lá do fundo, gritam os bike-manifestantes de bunda de fora: MAIS AMOR MENOS MOTOR! Do outro lado da calçada esburacada abandonada, responde o Criolo rapper suburbano: NÃO EXISTE AMOR EM SP, mano! Em SP, pânico, pane, transe, trânsito, selva, xingamentos, bosta de cachorro. Mas pior que pisar em bosta de cachorro é desacelerar na bosta do congestionamento que paralisa inferniza e onde todos somos igualmente burros. Cada um enjaulado dentro do seu CARRO-FETICHE comprado em 64 suaves prestações. Ou seriam constipações? Condomínio fechado móvel excludente. Ali, SOLITÁRIOS, transpiramos solidão, masturbamos solidão, gozamos solidão e praguejamos a nossa solidão contra a solidão do próximo. E quem será a próxima vítima da selvageria motorizada alcoolizada desajuizada que atropela o pedestre desavisado desarmado esmagado contra o asfalto quente vagabundo? FAIXA DE SEGURANÇA. Quem a respeita? Pedestres incomodam carros. Carros incomodam motocicletas. Motocicletas incomodam ônibus. E dentro do ônibus a ralé a pé se espreme até virar CARNE MOÍDA. Há saída? Há. Basta explodir a cidade e começar tudo de novo. Quem sabe assim assados na brasa, mora? aprendemos a nos mover, a nos respeitar, a nos amar em SP.

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