segunda-feira, 28 de maio de 2012

o Rivotril e o inferno das expectativas


o Rivotril é o remédio controlado mais vendido no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2011, foram comercializadas 10,6 milhões de caixas desse medicamento no país.

é gente pra dedéu vivendo sob o efeito “paz e amor” do calmante. Efeito bom, mas que, na verdade, não resolve os nossos problemas existenciais. Apenas nos ajuda a suportá-los.

se estou mal, seja por qual motivo for, logo recorro ao Rivotril para anestesiar temporariamente esse sentimento ruim. Falo temporariamente porque o medicamento age, em média, 18 horas no organismo. Depois, ploft. Voltamos ao inferno de antes. O inferno das expectativas.

vivemos em um mundo onde todo mundo tem que ser (ou parecer) feliz e realizado o tempo todo. E para conquistar essa tal felicidade, essa tal realização, vamos criando inúmeras expectativas. Queremos o amor perfeito, a profissão perfeita, a bunda perfeita, o carro do ano.

o problema é que jamais vamos conquistar tudo o que queremos. Mesmo assim, insistimos, iludidos por essa conversa besta de que basta ter “pensamento positivo” e as coisas se resolvem. Mentira. A maior mentira da história da humanidade. E quando descobrimos isso, quando descobrimos que essa nossa peregrinação talvez não nos leve a lugar nenhum, surge essa sensação abominável de fracasso, de insatisfação, de impotência. E aí: tome Rivotril!

por isso, para evitar a frustração, tenho tentado escapar do inferno das expectativas, sem me agarrar às probabilidades de que tal coisa pode dar certo, sem desejar nada que não caiba dentro de um sonho possível.

alguém pode argumentar que isso é se conformar, “pensar pequeno”. Pode até ser. Mas prefiro viver dentro das minhas possibilidades reais e palpáveis do que ficar criando expectativas que me deixam em estado permanente de ansiedade.

optei por relaxar e gozar. E se nada der certo lá na frente, pelo menos gozei.
 

Um comentário:

  1. Funcionou por um tempo, mas depois descobri que estava engordando... Agora uso uma técnica meio infantil algo como 'vai passar, vai passar, vai passar...'

    xaxeila

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