sábado, 5 de maio de 2012

os donos da rua


moro próximo de uma tradicional cantina de São Paulo. Cantina frequentada por grã-finos e onde o espaguete com molho de tomate deve custar o preço de uns 50 quilos de macarrão dos bons. 

ok, cada um paga o que quiser no prato que quiser. Quem mandou eu nascer pobre, feio e preguiçoso?

o que me tira do sério é que, de carro, para eu chegar em casa, preciso passar pela estreita rua onde fica a tal cantina. E dependendo do horário, enfrento um congestionamento dos diabos para poder avançar uns 200 metros.

explico.

quem manda na rua são os clientes da cantina. Sujeitos de fino trato que param seus automóveis importados bem no meio da rua. E quem vem atrás que aguarde o manobrista tirar o carro deles dali.

a rua foi reformada há algum tempo: botaram umas luzinhas coloridas penduradas em fios que a atravessam de lado a lado e - pasmem! - uma fonte (UMA FONTE!!!) foi colocada em uma das calçadas.

essa talvez seja a rua mais feia de São Paulo. Mas como existe (mau) gosto pra tudo, deixemos esse detalhe estético pra lá. 

só não consigo me calar diante da falta de educação desses babacas que se acham os donos da rua. Porra, rua é espaço público - e o espaço público é de todos; é para ser compartilhado com um respeitando o metro quadrado do outro. 

por serem mais bem instruídos, mais bem nutridos, os cheirosinhos deviam saber disso. Pensando bem, acho que até sabem. Mas o brasileiro, como já escrevi aqui, é um folgado. E quanto mais dinheiro tem, mais folgado é. E ainda posa de elegante por comer em restaurante chique.

elegância, meu caro, é saber se comportar em público com discrição, sem ocupar o espaço alheio com sua arrogância de subdesenvolvido. 

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