sexta-feira, 11 de maio de 2012

sempre fomos bregas!


andam falando por aí que o Brasil está mudando e um dos sintomas dessa transformação seriam as novelas “Cheias de Charme” e “Avenida Brasil”, da TV Globo – ambas centradas no povo da classe C e com trilhas sonoras beeeeeeem populares.

ok, o Brasil está mesmo vivendo um período de boom econômico, com mais pessoas podendo comprar geladeira. Mas, culturalmente, sempre fomos as marias de “Cheias de Charme” e os lelecos de “Avenida Brasil”.

numa única palavra: sempre fomos BREGAS.   

a novidade é que, nos últimos anos, os bregas saíram da cozinha e invadiram a sala de estar. Por isso, empresas como a TV Globo – de olho gordo no maior poder de consumo e de influência dessa turma – começa a apalpá-la com agradinhos.

a moribunda MPB sempre foi exclusividade de uma certa elite. No andar de baixo, onde vive a imensa maioria dos brasileiros, quem brilha mesmo são artistas como Odair José (70’s); depois Peninha, Agepê, Sidney Magal (80’s); depois os sertanejos (a partir dos 90’s). E assim por diante.

nesse sentido, o Brasil continua igual. A mudança está apenas na maior exposição do brega na mídia. E com a chancela da mídia (TV Globo à frente), os bobos começam a perder a vergonha de assumir o seu lado “Biafra de ser”.

e por falar no Biafra, numa passada rápida pela Virada Cultural, em São Paulo, assisti ao show do intérprete de “Sonho de Ícaro” no palco montado no Largo do Arouche.

sou, fui e sempre serei brega. Na época em que consumia muita, muita música, era capaz de ouvir Biafra, The Smiths, Gretchen, Ramones, Yahoo, Iron Maiden, Odair José, Beatles, Marcos Sabino, Pink Floyd, Fábio Jr, AC/DC, Ritchie, The Clash, tudo na mesma vitrola.

sou assim: me agradou, pouco importa a procedência.

a quem ainda resiste em se entregar ao Brasil do "eu quero tchu", pode seguir ouvindo Marisa Monte cantar "Depois", tema de Jorginho e Nina em "Avenida Brasil", e fingir que essa canção não é brega só porque é interpretada pela "musa do bom gosto".
  

Um comentário:

  1. Pois é, Marcos. De repente, não mais que de repente, ser "brega" ficou legal? E a turma acreditando piamente nessa "redescoberta" do Brasil? Toda hora, tem alguém querendo colar um rótulo de otário na nossa testa. Comigo não, acordeão! Um abraço.

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