terça-feira, 19 de junho de 2012

as mulheres ricas e os arrastões


Não tenho nada contra a riqueza. Muito pelo contrário. Queria ser rico, muito rico, e poder morar na Cochinchina. Mas não suporto ostentação de riqueza. E muito menos “entrevistas” com mulheres ricas.

Esse tipo de coisa me embrulha o estômago.

No domingo (17/06), a coluna da Mônica Bergamo, na “Folha”, foi ouvir as mulheres ricas para saber o que elas estão pensando – se é que elas pensam – sobre esses arrastões em restaurantes grã-finos de São Paulo.

O que surgiu dessa “investigação jornalística” foi um amontoado de queixumes do tipo: “Tô morrendo de medo. Se levarem uma bolsa Hermès minha, vou chorar mais do que tudo.” Outra foi mais radical: “Tem que fazer como nos países árabes: roubou, corta a mão.”

As mulheres ricas paulistanas estão com medo de ir aos restaurantes chiques e desconsoladas porque “não podem” usar suas joias. Acham que o país “virou uma zona”.

Não, madames, a República das Bundas Alegres é uma zona desde que um certo Pedro Álvares Cabral desembarcou por aqui.

Se você é rica, ok. Sorte a sua. Mas vir a público para dizer que vai “chorar mais do que tudo” se a sua bolsa Hermès for roubada é de uma insensibilidade social que merece uma saraivada de bosta de vaca na cabeça. 

Lembre-se: vivemos em um imenso terreno baldio onde a desigualdade de renda continua uma das mais altas do mundo e onde ainda existem 16 milhões de pessoas sobrevivendo em condições de miséria extrema, com R$ 2 por dia.

Essa é a nossa feia realidade. Ou você acha que vive na Suíça? 
 
Ser rica é uma coisa. Ser elegante é outra, completamente diferente. Essas mulheres, com suas "vivências de Europa", já deviam, ao menos, ter aprendido a evitar essa ostentação criminosa e a exposição pública de suas cafonices. Vou além. Em um país como o Brasil, com os problemas sociais que o Brasil ainda têm, mulheres ricas deviam ter a língua decepada para não saírem por aí tagarelando suas futilidades.

Outra cabocla explicou sua "política de redução de danos" assim: "Tiro minhas joias, total. E tô jantando mais cedo. Vou às 20h30 e me 'pico' do lugar às 22h30."

Será que essa imbecil, encastelada em seu carro blindado, sabe que vive no mesmo país onde milhares de pessoas não têm nem um prato de feijão com arroz para comer?

Que problemão, né? Ter que jantar mais cedo.
   

Um comentário:

  1. Meu caro,

    é revoltante mesmo. País desigual, cheio de gente sacana que enriquece pisando no pescoço dos outros. Ter dinheiro e viver bem é ótimo, mas precisa ser lícito e não pode ser tirando o couro dos outros. Negando educação e capacidade de reação das pessoas.

    Cássia Oliveira - www.recanto

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