segunda-feira, 18 de junho de 2012

caminhando com Chayene


Há três semanas estou me exercitando no meu incrível simulador de caminhada. Durante 45 minutos, enquanto assisto à “brabuleta” Chayene armando seus divertidos golpes contra as “chumbreguetes” na novela “Cheias de Charme”, lá estou eu, um sujeito até respeitável, passando pela humilhação de “caminhar sem sair do lugar”.

Confesso: sem Chayene, acho que não conseguiria seguir a recomendação médica de levantar a bunda do sofá e encarar tal vexame.

Sim, vexame. É meio vergonhoso me ver ali, suando a cueca, sem chegar a lugar nenhum.

Dizem que exercício físico faz bem à saúde. Acredito que sim. Dizem que exercício físico emagrece. Também acredito que sim. Mas eu não estou nem aí para os meus quilos a mais. E nem estou a fim de entrar para o “clube dos saudáveis”. Continuo fumante e adepto do bacon.

O médico, porém, falou que eu posso me transformar num velho imprestável se eu continuar com essa minha vida de sirigaita. Foi aí que me bateu um leve desespero.

Nunca pensei que viveria tanto, que viveria até me transformar num velho. Muito menos num velho imprestável. Na verdade, nunca pensei na velhice como possibilidade. Mas o médico me alertou sobre esse risco. Disse que eu posso escapar ileso de todas as balas perdidas e motoristas bêbados e seguir até os 80, os 90 e, quem sabe, até os 100.

Gelei! É tempo demais. Tempo suficiente para a vida, lá na frente, vir cobrar a fatura dos excessos que cometo hoje. Como eu pensava que não estaria mais aqui para receber tal cobrança, sentia-me tranquilo estatelado no meu sofá feito ovo frito.

Agora, não mais. Agora, fico imaginando, com frio na barriga, o tamanho da conta que me aguarda lá na frente. E por esse motivo, aderi ao simulador de caminhada.

Se vai adiantar para alguma coisa, não sei. Só sei que é chato pra caramba viver hoje pensando no que pode acontecer amanhã. Oh, vida...
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário