segunda-feira, 4 de junho de 2012

Dolores, a ungida


Sei lá o motivo, só sei que as religiões são contra tudo aquilo que é meramente humano. Pense nos chamados “sete pecados capitais”. Existem coisas mais humanas que a gula, a avareza, a luxúria, a ira, a inveja, a preguiça e a vaidade?  

Que eu saiba, não.

E desses “pecados”, aquele que mais aborrece e excita as religiões é, sem dúvida, a luxúria – essa mania humana de se apegar aos prazeres carnais; de sair por aí “dando rapidinhas” atrás da moita.   

Para as religiões, sexo só depois do casamento e, mesmo assim, apenas para procriar e, de preferência, com a luz apagada.

Ok, cada um acredita no que quiser e segue os dogmas religiosos que quiser. Não tenho nada com isso. Mas admito que tenho os dois pés atrás com quem afirma que se tornou “pessoa melhor” porque descobriu Jesus. E, ao descobrir Jesus, libertou-se do sexo.

Ora, libertar-se do sexo por quê? Que mal há em sentir prazer?

Em “Avenida Brasil”, apareceu uma nova e controversa personagem: Dolores, a ungida. Interpretada por Paula Burlamaqui, Dolores é uma ex-prostituta supostamente arrependida que se converteu em crente com “as saias mais compridas do mundo”.

Mas, veja só, nem bem chegou ao Divino, Dolores já teve uma “recaída” e se entregou inteirinha – de corpo, alma e siricutico – para Diógenes (Otávio Augusto).

Dolores não resistiu ao prazer. E nem deveria. Só que as religiões não admitem o prazer nem a liberdade de escolha. Ou você segue o que a Bíblia manda, reprimindo todas as formas de prazer, ou vai queimar nos quintos do inferno.

Como sou do tipo à toa, prefiro viver como o diabo gosta.

Afinal, sem prazer e sem algum vício para nos inebriar e nos afastar do tédio, o que sobra de bom nessa porra de vida, hein?
 

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