domingo, 17 de junho de 2012

Michael: o cotidiano de um pedófilo


Sabe aqueles filmes que você começa a assistir e não consegue mais parar porque quer saber o que vai acontecer? Esse é o caso de “Michael”, primeiro filme do austríaco Markus Schleinzer, que foi diretor de elenco do premiado “A Fita Branca”, de Michael Haneke.

“Michael” mostra o cotidiano de um pedófilo de 35 anos que mantém em cativeiro, no porão de sua casa, um garoto de 10.

O tema é espinhoso e o filme, angustiante. É que a gente sabe, mesmo sem ver, que Michael (Michael Fuith) abusa sexualmente do menino, e aguarda com aflição uma reviravolta na história. Desejamos mais que tudo que o pedófilo seja logo descoberto e castigado por sua monstruosidade.

Enquanto isso, enquanto aguardamos essa reviravolta, Schleinzer vai nos mostrando o cotidiano de Michael que, à revelia do seu crime, leva uma vida pra lá de comum. Ele trabalha, assiste televisão, cozinha, tira o lixo, pega as cartas na caixa de correio, viaja para esquiar. E tenta manter um relacionamento afetivo com o garoto.

Vemos os dois, Michael e o garoto, como se fossem “pai e filho”, limpando o chão juntos, lavando a louça, passeando em um parque, montando um quebra-cabeça, comemorando o Natal. E é exatamente essa aparência de “normalidade” que mais perturba. A gente sabe que o mal está ali, mas ninguém no filme é capaz de vê-lo.

O garoto, vivido por David Rauchenberg, passa quase todo o filme em silêncio, obedecendo às ordens de Michael. Mas sua dor é visível nos seus gestos, nas suas reações e na sua expressão sempre triste.

A direção de Schleinzer é sóbria e econômica. Os mais impacientes podem achar o filme tedioso devido ao seu ritmo lento. Mas talvez esteja exatamente nessa frieza e nesse distanciamento a sua força.   

Assista ao trailer aqui 
     

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