segunda-feira, 4 de junho de 2012

Obama, o casamento gay e o voto dos negros

A "Der Spiegel" publicou texto onde pergunta: "O apoio ao casamento gay pode fazer com que Obama perca o voto dos negros?". 

Pelo visto, parece que sim. Parece que, para muitos eleitores afro-americanos, a declaração de Obama foi uma traição.

Ao ler o texto, soube que, nos Estados Unidos, 65% dos afro-americanos consideram o casamento entre pessoas do mesmo sexo errado, enquanto entre os brancos essa porcentagem é de 48%. Quando o Estado da Califórnia avaliou o casamento gay em 2008, cerca de 70% dos afro-americanos californianos foram a favor da proibição. 

Para piorar a situação de Obama, vários líderes religiosos comunitários já pediram às suas congregações que retirem o apoio à reeleição do presidente. 

Segundo a reportagem, muitas comunidades afro-americanas vivem em uma cultura que valoriza figuras masculinas fortes e despreza a homossexualidade. “Aprendemos que a instituição da escravidão nos roubou nossa masculinidade e que temos que preservar o que restou”, escreveu o autor afro-americano Charles Stephens para o “Huffington Post”, após incidentes de violência contra gays dentro da comunidade.

Outra coisa. Poucas coisas têm maior influência na sensibilidade afro-americana do que as igrejas. Entre os negros americanos, 22% frequentam a missa mais de uma vez por semana - o dobro dos americanos brancos. E muitos colocam sua fé naquilo que seus pastores dizem e no que está escrito na Bíblia, inclusive na declaração que o casamento só pode ser entre uma mulher e um homem.

O texto segue e a coisa fica ainda pior, com o pastor William Owens, do Tennessee, falando bobagens desse tipo: “Não escolhi ser negro e você não escolheu ser branco - os homossexuais fazem uma escolha de serem homossexuais. Então por que comparar o que passamos com a sua situação? Não é a mesma coisa; não tem comparação.”

Ei, pastor, nenhum homossexual escolhe ser homossexual, viu.

Mas ainda bem que existem religiosos esclarecidos. Otis Moss, pastor da antiga igreja de Obama, é um sopro de inteligência nesse debate de surdos: “A instituição do casamento não está sob ataque como resultado das palavras do presidente. O casamento estava sob ataque anos atrás, por homens que viam as mulheres como propriedade e os filhos como troféus de seus poderes sexuais.”

Continua Otis Moss: “Nossos ancestrais oraram por 389 anos para colocar uma pessoa de cor na Casa Branca. Eles lideraram mais de 200 revoltas de escravos, lutaram em 11 guerras, sendo uma guerra civil na qual 600 mil pessoas morreram... não vou permitir a ministros de mente estreita ou a políticos retrógrados a satisfação de me afastarem do meu direito sagrado de votar para formatar o futuro para meus netos.”

Moss finaliza: “Achar que o presidente dos Estados Unidos deve ter a sua posição teológica é absurdo. Ele é o presidente dos Estados Unidos da América, não o presidente da convenção Batista ou da Igreja Sagrada. Ele é chamado a proteger os direitos de judeus e não judeus, homens e mulheres, jovens e velhos, homossexuais e heterossexuais, negros e brancos, ateus e agnósticos.”

Depois dessa, sem mais.  

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