segunda-feira, 11 de junho de 2012

a Parada Gay na caixa de comentários

A "Folha", por meio do seu instituto de pesquisa, o Datafolha, deu uma bela chochada na 16a edição da Parada do Orgulho Gay de São Paulo. Escreveu o jornal: "Pela primeira vez na história, a manifestação teve uma medição de público com caráter científico." E cravou em 270 mil o número de participantes. Número bem, bem, bem distante dos 4 milhões estimados pelos organizadores do evento. 

Não fui à Parada (faz anos que não vou) e não sei como fazer esse tipo de cálculo. Só sei que essa tal "medição de público com caráter científico" deu munição de sobra para os homofóbicos se manifestarem:

Não eram 3 milhões de pessoas? Como sempre digo: não adianta forçar a barra, a verdade mais cedo ou mais tarde prevalece! Desta vez até os políticos desapareceram, eles perceberam que a sociedade não gosta de uma manifestação de péssimo gosto (no mínimo) como esta!

Esse comentário foi um dos mais leves e educados que li entre os mais de 450 comentários sobre a notícia publicada parcialmente no UOL. A notícia completa está na edição de hoje (segunda, 11 de junho) da "Folha".

É claro que esse número, por mais perversa que possa ter sido a intenção do jornal, não diminui a importância da Parada Gay. Com 270 mil ou 4 milhões, o que interessa é manter a visibilidade de um movimento social que luta pelos seus direitos.

De qualquer forma, ao percorrer as caixas de comentários, notei que o que mais incomoda as pessoas não é o número de participantes, mas o comportamento deles.

Será mesmo que a Parada Gay é apenas para lutar contra o preconceito ou simplesmente um dia de depravação total, ao vivo e explícito na avenida principal da cidade? O que se vê é um monte de depravados, praticando atos imorais, fantasiados de "meninas", muitos passando a mão naquilo e aquilo na mão. Sinceramente, os gays de verdade não precisam disso... A Parada Gay é pura baixaria. 

Veja só, no país onde a bunda é patrimônio nacional e o apresentador ex-gordo de um programa de TV de domingo à tarde só sabe fazer piada com referência à putaria, os "envergonhados" armam-se do seu falso moralismo para disfarçar a sua homofobia e apontar seu dedo sujo para a "safadeza" alheia.

Em resposta a esses fingidos, recorro à sabedoria do Nelson Rodrigues: "Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém."

Em todo caso, após 16 anos, acho que a Parada Gay já está estabelecida e, mesmo que ainda seja fundamental a sua realização ano após ano, não causa mais o mesmo efeito político de tempos atrás. Por isso, pergunto: 

1) Não seria o momento de dar um salto à frente e buscar uma mobilização mais  contundente, sem tanta purpurina? 

2) Será que continuar mostrando a bunda no meio da rua é o melhor caminho para conquistar o devido respeito e ser levado a sério na mesa de negociação?

São perguntas que a militância LGBTT precisa responder se quiser o apoio de uma sociedade que, infelizmente, mostra-se cada vez mais careta, covarde e evangélica.   

2 comentários:

  1. não entendi na ultima frase o porque de "evangélica", acho que se eh para reclamar de evangélicos também tem que reclamar de católicos, sim de católicos pois eles acreditam no mesmo Deus, na mesma bíblia, a unica diferença eh os santos, uns acreditam outros não, mas o católico que não é hipócrita, o católico de verdade tem a mesma opinião sobre a homossexualidade que os evangélicos, e também me dá curiosidade porque nunca falam sobre os skinheads, ja vi casos de skinheads agredir homossexuais, mas os padres e os pastores não, eles apenas expõe a opinião deles sobre o assunto segundo a fé deles, mas isso não quer dizer que eles odeiam os homossexuais apenas não acham certo, agora cada um faz da vida o que quer, assim como cada um faz sua escolha sexual, cada um também faz sua escolha religiosa, sempre haverá diferenças culturais, sempre haverá diferenças em tudo e isso é democracia... não concordar, não significa odiar... bom essa é a minha opinião e outra pessoa pode ter uma opinião totalmente diferente, é um direito...

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