terça-feira, 3 de julho de 2012

chute no olho


Em “Heaven Knows I’m Miserable Now”, Morrissey pergunta algo assim: “Por que eu sorrio para pessoas que eu preferia muito mais dar um chute no olho?”.

Por quê, hein?

Aqui no prédio onde moro, tem uma vizinha que, num dia, me cumprimentava cheia de sorrisos; no outro, não. A partir da segunda vez que ela fingiu não me ver, passei a fazer o mesmo, ignorando completamente a sua existência.

Certa vez, entramos eu e essa vizinha no elevador. Com expressão coitada, a imbecil me encarou e perguntou o que havia acontecido, porque eu não falava mais com ela.

Quase lhe dei um chute no olho pelo atrevimento, mas me contive e permaneci calado, com o olhar fixo na porta do elevador.

Ela me afrontou: “Você não vai falar nada?!”. Continuei em meu silêncio de catedral. A vizinha bufou e, assim que o elevador parou no seu andar, saiu batendo os pés de raiva.

Nunca mais nos falamos.

Tem gente que é assim. Dependendo do humor, da situação, do interesse, às vezes sorri para você; outras vezes, fingi que você não existe.

Esses, eu nem envio para a "lixeira". Deleto permanentemente, como fiz com a tal vizinha com cara de maracujá murcho.

Para sobreviver, em muitas ocasiões somos "obrigados" a sorrir para pessoas que a gente preferia dar um chute no olho. Seu chefe, por exemplo. Mas quando trata-se de alguém que não vai fazer a menor diferença na sua vida: exclua, apague, inutilize. 

Com menos "entulho" para carregar, fica bem mais fácil seguir em frente.
   

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