segunda-feira, 9 de julho de 2012

sexo sem beijo é solidão


Gosto de artistas que não estão nem aí para a caretice do “respeitável público”. Gosto dessa honestidade.   

Luis Capucho é desses artistas. Ouvir seu cantar arrastado me faz lembrar de Lou Reed e Tom Waits. Capucho é músico que interpreta suas canções com o fígado inflamado.

“Cinema Íris” é o seu segundo disco, depois de “Lua Singela” (2002). E é muito bom saber que existe um cantor, compositor, escritor que aborda a (homo) sexualidade sem censura, provocando calafrios nessa sociedade babaca e cada vez mais metida à “certinha”.

Foi assim no livro “Cinema Orly”. É assim em seus versos cheios de referências ao submundo da putaria: “Enquanto homens masturbam-se na neblina do cinema/ Ela dança sem importância”. Ou em inesperadas declarações de amor: “Eu quero ser sua mãe/ para brincar no teu corpo pelado”.

Em “Céu”, Capucho lamenta: “Sexo sem beijo é solidão (...) Se eu não te beijo é só pornografia, sem céu”. E eu logo penso nos rapazes que circulam pelos banheiros públicos da cidade em busca de “sexo sem beijo”.

A música de Luis Capucho é trilha sonora para quem vaga pelo mundo de madrugada, sozinho, à procura de um corpo onde deitar a sua solidão.

Saiba mais sobre Luis Capucho, aqui
 

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