quarta-feira, 22 de agosto de 2012

um baita susto

Não foi pegadinha. Se fosse, digamos que eu até entenderia. 

Fui ao banco, a pé, caminhando sem pressa pela calçada, quando levei um baita susto, daqueles que fazem a gente sobressaltar. Tivessem me filmado, talvez eu fosse parar no Vídeo Cassetadas do Faustão por minha performance: “pulo do veadinho”. 

Aconteceu assim: a desgraçada da mulher, falando ao celular, soltou um “Eu não acredito!” tão alto, tão agudo, tão estridente quando passava a dez centímetros do meu ouvido que – se eu fosse um pouco menos civilizado – teria voado no pescoço da selvagem. 

Sim, selvagem. Não há outro adjetivo para descrever essa gentalha que berra ao celular. 

Em entrevista para a revista Brasil 21, a escritora Jennifer Egan, autora do livro A Visita Cruel do Tempo, contou que quando os celulares foram criados, “você estava no trem ou em um restaurante e as pessoas gritavam em seus telefones. Hoje, pelo menos aqui nos EUA, isso não acontece mais”. Egan acredita que o uso do celular “é um tipo de educação que precisa ser adquirida”. Concordo com ela. 

Mas se, nos EUA, as pessoas se educaram, como afirma a escritora, aqui no Brasil estamos longe, bem longe disso. E nem sei se um dia aprenderemos a falar baixo – seja ao celular ou em qualquer outra situação. 

Como já escrevi aqui, o brasileiro é um trio elétrico. E conversar aos berros, sem se importar se está incomodando ou não quem está ao lado, é apenas mais uma "atração" do nosso natural show de horrores. 

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