terça-feira, 4 de setembro de 2012

Mudanças desesperadas


Vou mudar os móveis de lugar. Acho que vou aproveitar e mudar o penteado. Mas, peraí! Será que algo muda se eu mudar os móveis de lugar? Se eu mudar o penteado?

E, afinal, pra que mudar?

Ok, mudar é bom. Faz a gente se sentir renovado. Mas quando me pego com essa necessidade brutal de mudar, sei que não estou legal, que minha vida está em ponto morto. Se estivesse bem, não estaria nem aí para os móveis nem para o meu penteado.

Existem as mudanças necessárias, aquelas que, de tempos em tempos, servem para revalidar a nossa existência, recarregar o ânimo (uma viagem, por exemplo). E existem as mudanças desesperadas, aquelas que buscamos para aplacar as nossas insatisfações.

Eu, como sou um eterno insatisfeito, preciso mudar a cada minuto. E como sei que isso é impossível, às vezes tomo café, outras vezes, chá; às vezes, acordo cedo, outras vezes, tarde; às vezes, vou pela direita, outras vezes, pela esquerda.

Pra ser honesto, nada muda de verdade. Mas eu finjo que sim.
 

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