segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Pregação e tche tche rere

Só porque tem mais gente comprando carro 0 km e o país vai sediar dois grandes eventos esportivos, muitos acreditam que o Brasil vai bem, obrigado. Não vai, não. 

A coisa por aqui anda feia pra dedéu. Muito feia! Monstruosa! E dois fatos comprovam o nosso retrocesso: a crescente evangelização do país e o domínio implacável da música sertaneja.

Cada vez mais, o Brasil é comandado por Jesus e pelos peões da calça apertada. Em qualquer horário, em qualquer lugar, em qualquer situação, ouve-se pregação e tche tche rere; graças a Deus e tchu tcha tcha.

Tá foda, viu!

Em seus “discursos”, evangélicos e sertanejos até parecem estar em lados opostos. Evangélicos querem ir para o céu; sertanejos, para o inferninho mais próximo. Mas, apesar dessa diferença, ambos representam a permanência dos mais odiosos comportamentos.

Atenção à letra dessa canção da dupla João Carreiro e Capataz: “Sistema que fui criado ver dois homem abraçado pra mim era confusão / Mulher com mulher beijando / Dois homens se acariciando, meu Deus que decepção / Mas nesse mundo moderno não tem errado e nem certo achar ruim é preconceito / Mas não fujo à minha essência pra mim isso é indecência / Ninguém vai mudar meu jeito”.

Homofóbico, sem dúvida. E machista também. Repare: “Por mim faltaram respeito, na muié eu dei um jeito, corretivo do meu modo / No quarto deixei trancada, quinze dia aprisionada e com ela não incomodo”.

Taí. Esse é o gênero musical que mais vende no Brasil. E tem gente que ainda defende esses imbecis, que diz que o Brasil é "o país da vez" porque um tal Michel Teló fez sucesso lá fora. 

País da vez o escambau! Por trás desse "calor humano", dessa "alegria de viver" de vitrine, há uma sociedade cada vez mais moralista, conservadora, intolerante, preconceituosa, cafona, atrasada, opressora. 

Um dia, os gringos ainda vão descobrir isso, e a gente, com o rabinho entre as pernas, vai voltar para o lugar de onde nunca saímos: a caverna.

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