segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Amor em albanês

 
Passei a noite inteira acordado, tentando escrever a mais bela e comovente declaração de amor para Luíza. Até cogitei enviá-la um poema do Fernando Pessoa ou a letra de uma canção do Chico Buarque. Mudei de ideia. Achei que soaria falso, preguiçoso. Optei por esmiuçar a grande dor que eu sentia e escrever eu mesmo algo que pudesse expressar com exatidão a minha tristeza por não ter Luíza mais ao meu lado. Após escrever centenas de mirabolantes declarações de amor e não enxergar verdade em nenhuma delas, decidi pela mais singela e vergonhosa. Tão singela e tão vergonhosa que resolvi escondê-la até de mim.
Acessei o Google Tradutor. No quadrado da esquerda, colei a declaração de amor que escrevi para Luíza. No quadrado da direita, escolhi traduzi-la para três idiomas. Primeiro, albanês:   

Dashuria ime
Unë kuptova se unë nuk mund të jetoj pa ty.
Ju lutemi të kthehet në mua.
Murilo.

Depois, vietnamita:

Tình yêu ca tôi
Tôi nhn ra rng tôi không th sng mà không có bn.
Hãy quay li vi tôi.
Murilo.

Por fim, crioulo haitiano:

Mwen renmen
Mwen reyalize ke mwen pa ka viv san ou.
Tanpri tounen vin jwenn mwen.
Murilo.

Evitei a frieza do e-mail. Com paciência e carinho, copiei essas três versões da declaração de amor em papéis de carta e as enviei para Luíza pelo correio. Uma de cada vez. Segunda, em albanês. Terça, em vietnamita. Quarta, em crioulo haitiano.
Angustiado, esperei com expectativa ofegante pela resposta de Luíza por uma, duas, três semanas. Mas ela nunca respondeu às minhas cartas. Creio que me esqueceu e não está mais disposta a fazer qualquer esforço para entender o meu amor.

            *Da série histórias inspiradas em imagens.
  

Um comentário:

  1. O melhor é usar o Google Translate e fazer a tradução para o português (PT-BR) e descobrir a simplicidade objetiva da declaração.

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