quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Inventando razões para existir

Sou frágil bola de sabão flutuando à toa pelo mundo. Sei que vou estourar em algum momento: me decompor, desmanchar no ar, virar porra nenhuma. Pode ser hoje, semana que vem ou daqui a cinquenta anos. Pode ser agora: ploft!

É essa certeza de finitude que faz eu continuar suportando a trivialidade da vida. Que boa notícia: um dia, enfim, eu acabo. Ufa! Saio dessa barulheira para o silêncio absoluto. Mas enquanto esse dia não chega, preciso seguir inventando novas razões para existir a cada dia, a cada despertar.

Viver nada mais é que preencher o nosso tempo inventando coisas para fazer. Qualquer coisa: fritar um ovo, pintar as unhas, escalar o Everest.

É o Tempo – esse déspota filho da puta – que nos governa com mão de ferro. A ele devemos obediência, saciando as suas vontades extravagantes para não sermos castigados com o Tédio.

Ontem, fui para a cozinha e fiz um bolo de sorvete. Hoje, ainda não consegui inventar nenhuma razão nova para existir.

Como a maioria dos meus dias, hoje vou ter que me contentar com as sobras de ontem.
  

3 comentários:

  1. Muito bom.
    Lembra um pouco a "Tabacaria" do genial Fernando Pessoa.
    Abraços.

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  2. Disse tudo o que tenho sentido nos últimos 30 dias ;)

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  3. Caramba, tua escrita é foda. De emoção ao ler este post cheguei a sentir algo se movendo na região do terceiro olho, o chacra.

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