terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Homossexuais são banais

The Pink Choice

Não há nada – absolutamente nada – de extraordinário nos homossexuais. Não somos nem mais nem menos bonitos ou inteligentes ou educados por sermos gays. Também não temos “poderes especiais” nem somos “aberrações da natureza”. E ao contrário do que os imbecis bradam por aí, não queremos dominar o mundo. Só exigimos fazer parte dele.

Acredite: igual a todos, os homossexuais são banais. E é essa banalidade que a fotógrafa Maika Elan registra na série The Pink Choice. São imagens que mostram casais gays vietnamitas em situações íntimas, cotidianas, triviais.

Maika evita idealizá-los, como se fossem “heróis”, ou vitimá-los, como se fossem “coitados”. Não, a fotógrafa opta por mostrá-los além dos estereótipos: como “gente de verdade” que, como todo mundo, ama, briga, faz compras, toma banho, ri, chora, beija, trepa, espirra, vai ao cinema, vive sua história.

Maika Elan: “Toda vez que há uma matéria sobre um casal gay na imprensa ou na TV, eles aparecem com os rostos borrados ou de costas pra câmera. E essas histórias sempre têm relação com drogas, AIDS ou algum tipo de escândalo sexual. Quando se trata de filmes, os homossexuais são idealizados ou, novamente, apresentados como pervertidos sexuais. Você nunca vê realmente essas pessoas. Você não vê que eles são gente de verdade. Achei que seria legal mudar isso.” (Leia entrevista na Vice)

Sim, Maika, foi legal, muito legal.

Não sei os outros, mas eu não quero nenhum “tratamento especial” por ser gay. Quero apenas ser visto como pessoa igual a qualquer outra, com os mesmos direitos e deveres. Afinal, o que faço na cama (e com quem faço), além de ser só um detalhe da minha biografia, não deveria interessar a mais ninguém.

Sem apelar para qualquer tipo de espetacularização, as belas imagens de Maika mostram que, seja aqui ou no Vietnã, somos isso: pessoas comuns.   

Veja mais imagens da série The Pink Choice aqui

5 comentários:

  1. As imagens são realmente lindas. Fico imaginando, em cada foto, toda a história do casal, todas as batalhas do cotidiano, todo o viver de cada um...

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  2. belas imagens simsim, marcos.
    obrigada por compartilhar.

    beijo

    iza =)

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  3. No meio lésbico, ainda vejo muito a tentativa de criar uma aura de superioridade, exclusivismo, como se fosse um grupo muito homogêneo e fechado, quase um clã. Muitas lésbicas não atentam para a contrapartida dessa diferenciação, que é a manutenção da exclusão social.
    No caso dos homens homossexuais, acho que a visibilidade é relativamente maior e, por isso, os estereótipos estão bem mais diluídos.
    A série de fotografias é importante iniciativa de demonstrar que a busca da igualdade está não apenas no campo jurídico, mas também no reconhecimento de nossa "normalidade", banalidade cotidiana.

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  4. Sou hetero, mas tenho um irmão e muitos amigos gays. Caramba, o que dizer diante desse texto com colocações perfeitas? Peço licença pra complementar com um trechinho de uma postagem que fiz sobre o assunto:

    "Ser homossexual é ser loiro, ruivo ou moreno; é ser alto, baixo, feio ou bonito; é ser gordo ou magro, ter olhos castanhos ou azuis... É ser como a água que molha, o fogo que queima... Como um girassol amarelo, um caqui cor de caqui. É nascer assim, como a natureza determinou que haveria de ser. E não há palavra, cara feia ou bateção de pé que mude isso.

    Ser homossexual É SER O QUE SE É, e pronto. É SER COMO EU E COMO VOCÊ.

    Simples assim."

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