sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Presente de Natal


Faz bom tempo que isso aconteceu. Em meados de dezembro de um ano qualquer, ganhei um livro de presente de Natal, de uma pessoa que jamais esperei coisa alguma. 

Embora eu fuja desse estúpido “espírito natalino” como a crente que foge da minissaia, fiquei feliz com o inesperado presente. Alguém já disse que dar um livro é, além de uma gentileza, um elogio.

Na mesma hora, liguei para a pessoa que me presenteou. Agradeci pelo livro, trocamos afagos verbais e nos despedimos. Assunto encerrado? Não, definitivamente não. Após eu desligar o telefone, uma terrível dúvida passou a me assombrar: será que eu devia retribuir o presente?

SIM – é educado devolver a gentileza; e, possivelmente, a pessoa espera de mim tal atitude.

NÃO – é desonesto presentear por “obrigação” (apenas porque fui presenteado); e a pessoa percebe isso.

Antes de anunciar qual foi a minha decisão, um pormenor.

Muitas vezes, sentimo-nos “chantageados” pelo amor alheio, pelo amor sincero que alguém dedica a nós, e acabamos cedendo à tal pressão: Se o sujeito gosta tanto assim de mim, preciso gostar dele também. Será? Mas e se você, lá no fundo do seu coração, não for muito com a cara desse sujeito aí? E se você sabe que pode viver bem (e até melhor) sem o amor desse sujeito te forçando a aceitá-lo por perto?

Eu, naquele dezembro de um ano qualquer, resolvi retribuir o presente. Naquela época, ainda me sentia coagido a me submeter ao amor alheio, a prestar atenção em conversas que não me interessavam, a me sujeitar aos apelos emocionais. Hoje, não mais. Hoje, sinto-me lisonjeado e agradecido, mas não retribuo nada por obrigação.

Não posso nem quero ser refém do amor de ninguém. Por mais envaidecedor que seja esse amor. 
 

2 comentários:

  1. Eu não retribuí o presente de uma garota (também um livro) e depois que eu o li ela me pediu emprestado. Foi embora e nunca mais me devolveu o que tinha me dado... vai ver nem queria tê-lo presenteado a mim.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Isa, lembrei que isso também já me aconteceu. Bj.

      Excluir