sábado, 23 de fevereiro de 2013

Agora é tarde

 
Na situação periclitante em que me encontro neste momento, acho que, se estivesse com o mesmo vigor dos meus 20 anos, venderia o meu corpo no mercado negro para faturar um dinheiro. O problema é que “passei do ponto” faz tempo e sei que, hoje, com o meu “prazo de validade” vencido, ninguém pagaria nem um centavo por esta “carcaça velha” – e, de graça, ultimamente, não tenho dado nem bom-dia.

Assim é: o tempo passa, os cabelos caem, a barriga cresce, a pele enruga, a coluna encurva, as pernas enfraquecem e o seu valor de mercado vai murchando junto com o seu pinto. Aviso: faça tudo o que você deseja fazer na juventude. Depois de certa idade é só queda, decréscimo, contagem regressiva.

Os otimistas bradam que “nunca é tarde pra recomeçar”. Ok, tente jogar sua vida atual no esgoto e iniciar uma nova vida aos 40, 50, 60. É possível? Sim, claro que é! E admiro aqueles que conseguem realizar tal façanha. Mas nem todos temos força e entusiasmo suficientes para encarar novos desafios. A maioria prefere manter o que tem, ainda que insatisfeita com o que tem. Não falam por aí que “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”? Pois é, o medo de perder paralisa.

O foda é saber que eu sou hoje o que escolhi ser quando estava com 20 e poucos anos. De lá para cá, segui acreditando que trilhava o “caminho certo”. Mas com 20 e poucos anos as chances de a gente fazer escolhas erradas são enormes e, muitas vezes, só descobrimos os nossos erros bem mais tarde.

Será que fiz escolhas erradas?

Sinceramente, não sei. E também pouco importa. Agora é tarde para lamentar qualquer coisa, tarde para vender o meu corpo no mercado negro, tarde para caber numa calça skinny, tarde para zerar tudo e recomeçar.  

Sou um fraco? Provavelmente sim. Poderia mudar? Provavelmente sim. A grande questão é: mudar para onde, porra!?
   

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