segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Males da Alma – primeiro episódio: depressão


O primeiro episódio da série “Males da Alma”, apresentada no Fantástico pelo doutor Dráuzio Varella, abordou a depressão. Com duração de 13 minutos e 27 segundos, o programa acompanhou a história de Neilde.

Depois de flagrar o marido com outra mulher em sua própria casa, Neilde mergulhou em um quadro depressivo grave. “Eu acho que você precisa da ajuda de um especialista”, aconselha doutor Dráuzio.

Vemos, então, a mulher ir ao médico e sair do consultório com a receita de um antidepressivo. A medicação causa reações adversas em Neilde: enjôo, corpo trêmulo, ânsia de vômito, um pouco de falta de ar, calafrios. Nesse momento, faltou doutor Dráuzio avisar ao público que essas reações são comuns no início do tratamento e desaparecem depois de uns quinze dias. Comigo foi assim.   

Neilde, após um mês de medicação, sente-me melhor. O programa termina em tom de superação, com a mulher em uma entrevista de emprego – e animada: “Esse prazer de viver, de recomeçar, vem vindo aos pouquinhos, e as pessoas comentando: ‘você está diferente, seu rosto está diferente.”

Fiquei imaginando a cara de felicidade dos acionistas da indústria farmacêutica com essa “propaganda gratuita” dos benefícios provocados por seus remédios tarja preta. Mas é isso aí. Se a tristeza é muito grande, saiba que existem pílulas capazes de “arrancar” essa tristeza de dentro de você.

Para mostrar que a depressão nem sempre está relacionada apenas com as dificuldades práticas da vida, o programa apresentou outra personagem: Érika. A mulher pega quatro conduções para ir ao trabalho, tem uma rotina complicada, mas não sofre de depressão por causa disso. Mantém-se firme e forte. “A gente tem que ir à luta, não pode desanimar.”

Mas por que uns deprimem e outros não? Sei lá, doutor Dráuzio pulou essa explicação.  

Ao fim do programa, ficamos sabendo que são dois os principais sintomas da depressão: 1) humor deprimido, perda de interesse em atividades que antes davam prazer; e 2) a pessoa quase todos os dias está triste e sem esperanças.

Aprendemos também que "a coisa (tristeza) passou do limite quando a gente não consegue mais amar ou trabalhar, quando somos dominados por esse tipo de sofrimento." (Christian Dunker, psicanalista da USP). 

Agora, o mais alarmante: no ano 2030, a depressão será considerada a doença mais incapacitante de todas. Por isso, doutor Dráuzio avisa: “Quando a tristeza toma conta de tudo e a vida vira um fardo insuportável, procure ajuda psiquiátrica para saber se há necessidade de psicoterapia e medicamento.”

Conclusão: tomara que o programa, com a assinatura de um médico respeitado como Dráuzio Varella, contribua para diminuir o preconceito contra quem sofre de depressão

Assista ao primeiro episódio de "Males da Alma" aqui
 

3 comentários:

  1. minha preocupação quando um programa sensacionalista e raso como o Fantastico aborda um problema tão complexo e que desperta muitos preconceitos como a depressão acabe reificando mal-entendidos e percepções superficiais sobre a doença. Fica parecendo que quando a pessoa esta deprimida, deve procurar um psiquiatra que vai te dar um remedinho que vai curá-la. Oras, os psiquiatras categorizam a depressão como uma doença sem cura, mas que tem manutenção, como o alcolismo ou a diabetes e em nenhum momento o Dr Drauzio, médico do trabalho que se tornou "autoridade em saúde" escrevendo livros com tom sociologico e fazendo programas televisivos mencionou o grande problema enfrentado pelos depressivos que é a ciranda medicamentosa que acaba com a vida e motivação da gente, que um medicamento pode não dar certo, que vc tem que virar cobaia da industria farmaceutica até achar TALVEZ um medicamento que alivie seus sintomas sem piorar sua vida pelos efeitos colaterais.Por fim Dr Drauzio nnao mencionou que 60 a 70% dos pacientes nnao tem resultado com os antidepressivos, mas é claro, isso estragaria o 'mood' do programa.

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  2. Eu me lembrei de alguns filmes, como o Geração Prozac (outros dois nomes esqueci agora). A pessoa é descabelada, desordenada, mendiga nas ruas, mas basta um tempo com as pilulazinhas que ela se ajeita e sai linda e disposta pra procurar emprego. Eu tô na fase descabelada e desordonnée, mas não quero apelas (de novo) pra medicamentos que, uma hora, a gente tem que largar e aí é que são elas... muito difícil reduzir e suspender o uso. Efeitos colaterais (e sociais) fortíssimos. Sem falar que tem uma hora que o organismo fica saturado do medicamento e você tem que procurar outro e outro e outro.
    Estou ansiosa para o Males da Alma que trate de ansiedade, meu problema maior. Sei que é um programa superficial, mas (de)forma as opiniões e precisamos saber lidar com preconceitos. Muito boa postagem, Marcos!

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