sábado, 16 de fevereiro de 2013

Os medos de Robbie Rogers


Robbie Rogers é um meio-campista com passagens pela seleção americana de futebol. Nesta sexta, 15, por meio de um comunicado em seu site oficial, o jogador, com 25 anos, assumiu ser gay. 

“Estava com medo. Medo de mostrar quem eu era. Medo do julgamento e da rejeição que poderiam impedir os meus sonhos. Medo de que os meus amigos e familiares pudessem se afastar de mim se soubessem o meu segredo.”

Entendo perfeitamente os medos de Robbie. E acredito que todo homossexual entenda. “Sair do armário” é decisão de risco, é como dar um grande salto no escuro. Nunca sabemos, com certeza, de que forma as pessoas ao nosso redor vão reagir à tal revelação. Por isso, assombrados pela possibilidade da rejeição, muitos gays como Robbie preferem manter segredo.

O jogador, ao que parece, só assumiu ser gay agora porque também resolveu abandonar precocemente a profissão. “Está na hora de eu me descobrir longe do futebol”, escreveu. Antes, temia que sua condição sexual, se revelada, pudesse atrapalhar seus sonhos de jogar uma Copa do Mundo, participar de uma Olimpíada, fazer sua família orgulhosa.

Repare no estrago que o preconceito causa. Robbie tinha medo de ser impedido de realizar seus sonhos e objetivos caso descobrissem que ele era gay. Mas o que a sexualidade, a cor da pele, o gênero, a altura, o peso, o tamanho do nariz de uma pessoa tem a ver com a competência profissional dessa mesma pessoa? Nada, porra!

Sempre vivi entre heterossexuais e joguei muito futebol (na rua, na praia, em quadras) e sei bem como são esses ambientes movidos a testosterona e cheios de garotos/homens “comedores” e viris” e "machos acima de qualquer suspeita". Como Robbie, também temia ser “desmascarado”. Como Robbie, também fingia ser quem eu não era.

Há pessoas que defendem que os gays têm o direito de serem gays, mas não deviam expor publicamente sua orientação sexual, como fez Robbie. Essas pessoas são daquela espécie homofóbica que "tolera" os gays desde que os gays permaneçam afastados, excluídos, vivendo em guetos como se fossem criminosos. Aviso: não se deixe enganar pela tolerância parcial dessas pessoas. São filhos da puta como todo homofóbico o é.  

Robbie Rogers é apenas mais um a entrar para a "comunidade". Milhares de outros farão o mesmo. E assim, devagarzinho, vamos tornando o mundo um pouco menos hipócrita.
 

2 comentários:

  1. Eis uma decisão difícil, mais sem dúvida, de suma importância para que qualquer indivíduo que se descubra gay tenha uma vida verdadeiramente plena. Coisa que, infelizmente, ainda, no alto dos meus 36 anos, não consegui fazer... Não há como definir a hora certa de tomar essa decisão, pois cada qual tem sua história, seu tempo, seu cenário de viva e seus dramas. Acredito que assumir pra si já seja um grande (e não menos difícil) passo. Fico feliz e tenho minhas esperanças renovas quando fico sabendo de casos como esse. Força para todos nós! Abraços.

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  2. Engraçado, no mundo todo pessoas famosas saem do armário espontaneamente e são homens lindos e nada afetados, como esse jogador por exemplo. Aqui nesse país infeliz chamado brasil a gente tem de engolir certos afeminados pagando de machões, aparecendo na midia com falsas namoradas, é triste ser brasileiro.

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