sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Terapia das Panelas

 
Ontem fiz petit gateau. Na segunda-feira: torta de banana. Semana passada: bolo de sorvete. Desde que JK arrumou emprego fixo e deixou de trabalhar em casa (era ele quem cozinhava), iniciei espécie de Terapia das Panelas. Vou para a cozinha e me aventuro entre os mais diversos ingredientes. Às vezes queimo os dedos; outras vezes queimo a frigideira. Mas, de um modo geral, até que estou me virando bem e progredindo a cada dia.

Ligo o rádio, sintonizo a 89 FM e, enquanto ouço Serj Tankian mandar ver em “Harakiri”, manobro o fogão com cuidado para não ferver demais, assar de menos, errar a dose dos temperos. Assim, esvazio meu cérebro e mantenho minha ansiedade sob controle.

Necessito ocupar meus tempos mortos e a cozinha surgiu como refúgio perfeito.

Tem mais: não preparo comidas para mim. Preparo-as para JK. Motivo que faz eu me animar ainda mais a “inventar” novas combinações de sabores. Se cozinhasse apenas para mim, não me desafiaria, não iria além do ovo frito e do macarrão instantâneo, o melhor amigo das pessoas tristes.

Descobri que cozinhar para o outro é uma das mais honestas e bonitas declarações de amor que podemos dedicar a uma pessoa. É como dizer “eu te amo” todo dia através de um petit gateau, de uma torta de banana, de um bolo de sorvete. Talvez não seja tão romântico quanto enviar um buquê de flores numa quarta-feira qualquer, mas é verdadeiro. E não tem como não ser verdadeiro. Você fez, você gastou seu tempo em fazê-lo e, mesmo sem pensar nisso, você sempre adiciona afeto à receita.

Durante longo tempo, foi JK quem cozinhou para mim e eu, um completo idiota, não dava o devido valor a sua dedicação. Hoje sei que "rompantes românticos" são importantes, mas não são suficientes para mantêr a relação em ponto de fervura. É preciso esquentâ-la em banho-maria, devagarzinho, a cada manhã. 

Acredite: as mais sinceras declarações de amor não são faladas. Estão nas pequenas atitudes do cotidiano.
       

3 comentários:

  1. Olá Marcos!

    Bom, primeiro deixa te contar como achei seu blog (creio que as estatísticas do Blogger mostrem isso com clareza): digitei "boca amarga - bupropiona" e pronto, caí aqui. Ou melhor, ali, no post sobre isso.

    Li sobre seu desejo (necessidade?) de parar de fumar assim como eu, gostei demais do texto e fui lendo, lendo, lendo... Pronto, virei fã!

    Então, tô te acompanhando, tá?

    Beijo! ;)

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    1. obrigado pelas boas palavras, Tania...
      seja bem-vinda ao Idiota Feliz!
      bj.

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  2. Também cheguei aqui por causa do Exodus, mas foram os outros posts que me fizeram ficar.
    Sobre amor e panelas - infelizmente não tenho sua criatividade doce, sou mais carniceira. Espero recuperar a doçura... aliás, vou ali fazer um bolinho de cenoura pra tomar com café em sua homenagem. Beijos!

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