sábado, 13 de abril de 2013

Com dinheiro é moleza

 
Outro dia, dentro de um ônibus, dois homens conversavam. Como estava ao lado deles, não pude deixar de ouvi-los. Um informou que, com sorte, chegaria em casa lá pelas 22h; o outro, um pouco mais cedo, 21h30. Detalhe: ainda não eram nem 19h.

Eu, quinze minutos após ter subido no ônibus, desci e, no curto caminho a pé do ponto até a minha casa, fiquei pensando na rotina desgraçada daqueles homens. Diariamente, os dois deviam perder cerca de 6 horas no trânsito para ir e voltar do trabalho.

Viver é foda, gente. Mas viver longe nem sei o que é

Quando aqueles homens, enfim, chegassem ao lugar onde moravam, depois de pegar sei lá quantas conduções lotadas, eu já teria tomado banho, jantado e estaria deitado confortavelmente no meu sofá, lendo um livro. Quando aqueles homens acordam para ir trabalhar, eu ainda durmo. Enquanto eles trabalham duro para ganhar um salário de merda no fim do mês, eu reclamo do calor.

Com dinheiro é moleza tirar onda de pessoa bem resolvida, bem informada, bem vestida, bem intencionada, bem nutrida e preocupada com os desmandos do mundo. Afinal, temos dinheiro para comprar algum tempo livre para nos dedicar a assuntos, digamos, menos urgentes. Mas quem perde seis horas do seu dia no trânsito para poder sobreviver só quer mesmo descansar e se divertir durante os seus momentos de folga.

Falo isso por experiência própria. Vivi por cinco anos no Japão como peão de fábrica e, quando voltava de um turno de 12 horas de trabalho pesado, a única coisa que queria era dormir para, no dia seguinte, descansado, começar tudo de novo. Não tinha ânimo para mais nada.

Reclamar da alienação do povo sentado diante do computador é fácil. Quero ver carregando saco de cimento na cabeça.
 

2 comentários:

  1. As vrezes, quando reclamo da vida, paro um segundo e olho para o lado..l puta vergonha de mim...

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