segunda-feira, 8 de abril de 2013

Coy

Em vez de seguir publicando as imbecilidades proferidas pelo tal pastor-deputado que teima em desafiar o país com sua ignorância, prefiro deixar registrada neste blog a reportagem abaixo, mostrada no "Fantástico" de ontem (07/04). É a história de Coy, uma criança transexual. Preste atenção na declaração dos pais da menina, Jeremy e Kathryn, no último parágrafo da reportagem. É lição para toda vida.

CRIANÇA TRANSEXUAL É PROIBIDA DE USAR BANHEIRO FEMININO NOS EUA 
Hélter Duarte, Fantástico
 
Nos Estados Unidos, a família de uma criança de apenas seis anos está brigando na Justiça com a escola pelo direito de ela usar o banheiro!

Coy tem apenas seis anos e, à primeira vista, é uma criança como outra qualquer. Mostra os brinquedos: um pônei e um passarinho, tudo rosa, sua cor preferida; e se diverte com os quatro irmãos em uma casa de classe média americana. “Eu nunca vou crescer, eu adoro ser criança”, diz.

Mas os pais de Coy, Jeremy e Kathryn, estão travando uma batalha judicial com a escola dos filhos. A direção do colégio proibiu Coy de usar o banheiro feminino. O motivo? Apesar das roupas e do cabelo longo, Coy é biologicamente um menino. É uma criança transexual.

No início, a escola aceitou bem a situação e Coy passou a ser tratado por todos como uma garota. Os problemas começaram quando Coy foi para o primeiro ano. A direção da escola exigiu que ela usasse apenas o banheiro dos professores ou do departamento médico.

"Eu não sei porque a escola foi má comigo. Eles disseram que eu tinha que ir para o banheiro dos meninos ou dos médicos. Eu fiquei triste. Gostaria de voltar, mas agora estou estudando em casa”, diz Coy.

Kathryn e Jeremy tiraram todos os filhos da escola e acusam o colégio de discriminação.
"Nossa primeira proposta era que a escola desse um tempo para que se encontrasse uma solução mais razoável, para que a criança não sofresse. Eles disseram não. Então procuramos a Justiça", explica o advogado da família, Michael Silverman.

A mãe conta que começou a perceber que havia algo diferente quando Coy completou um ano e meio: " No início, a gente achou apenas que tinha um menino que gostava de coisas de menina. Mas, com três anos, ela começou a dizer que era uma garota. Não que queria ser uma, mas que era uma garota, e não um garoto. Quando insistimos que ela era menino, ela entrou numa forte depressão, não queria sair de casa e nem brincar com os amigos”.

Um ano depois, Coy passou a dizer para os pais que estava no corpo errado, que era preciso reparar esse erro. Os Mathis, então, procuraram ajuda médica, pediatras, psicólogos, psiquiatras, para entender o que estava acontecendo.

"Eu fiquei confuso. Ela tem um irmão gêmeo, Max, que estava se desenvolvendo normalmente. Até que os médicos disseram que Coy era uma criança transexual”, conta o pai.

“São pessoas que nascem com um sexo anatômico, mas se consideram pertencendo ao outro sexo. A maioria dos transexuais começa muito cedo a sentir que o seu corpo não é realmente aquele que o identifica. Essa sensação tem que ser constante. Ela não pode ser intermitente, mas ela ocorre o tempo todo”, explica a psiquiatra Carmita Abdo.

Um caso polêmico é da filha dos atores Angelina Jolie e Brad Pitt.  Apesar de nunca terem declarado que a filha é transexual, Shiloh, de sete anos, desde muito cedo faz questão de se vestir como menino, e até de ser chamada como John.

“A criança não está fazendo algo errado ou querendo transgredir. Ela se sente com uma identidade que precisa ser levada em consideração e respeitada. É importante que o pai e a mãe saibam que o transexual é diferente do homossexual. O homossexual não quer mudar o seu corpo. O transexual, enquanto não muda, não se sente satisfeito.”, destaca Carmita.

Foi o que fez a modelo brasileira Lea T, com uma cirurgia de mudança de sexo. Coy vai poder escolher fazer essa cirurgia quando crescer. Hoje, já tem identidade e passaporte com o sexo feminino.

Nos Estados Unidos, 16 estados têm leis para proteger os direitos de crianças e adultos transexuais, incluindo o Oregon, onde uma escola já criou banheiros unissex.
Uma pesquisa da Universidade da Califórnia calcula que três a cada milcrianças possa ter problemas de identidade de gênero. Por isso, o apoio da família, como acontece com Coy, é fundamental.

“Se existe preconceito dentro de casa, como é que essa criança vai poder lidar com o preconceito fora de casa? Mas, se ela tiver o respeito da família, ela vai se sentir mais fortalecida para ser respeitada no seu ambiente social”, aponta Carmita.

É o que Jeremy e Kathryn fazem todos os dias. ''As coisas não mudam se você não falar sobre elas. A aceitação vem com o conhecimento. Você não precisa ficar com vergonha porque é diferente. É isso que ensinamos para os nossos filhos. Vocês são especiais exatamente do jeito que são", contam.

Nenhum comentário:

Postar um comentário