quarta-feira, 3 de abril de 2013

Nós, os chatos

 
Estávamos eu, Fulano, Sicrano e Dito Cujo. De repente, acho que foi Fulano – ou teria sido Sicrano? Não lembro. Mas isso não importa. O que importa é que, de repente, um deles teve a ideia de ir a algum lugar que também não lembro. Só sei que era um lugar animado onde gente animada gosta de ir. Os outros dois toparam na hora. Eu não. Eu disse: “não tô a fim”. Houve, então, um silêncio mortal, como se eu tivesse acabado de confessar um crime. “Ah, como você é chato, hein?”, reclamou de mim o Dito Cujo. “Sim, sou chato”, concordei.

Fulano, Sicrano e Dito Cujo partiram para o tal lugar animado. Eu, por não estar a fim de ir ao tal lugar animado, voltei pra casa.

Essa não foi a primeira vez que fui chamado de chato por não estar a fim de algo. Aconteceu em várias outras situações. Por isso, pergunto: por que as pessoas acham que devemos segui-las em suas vontades? Ora, se não quero ir, não vou. Se não gosto, não gosto. Se cansei, vou embora. Não sou obrigado a fazer isso ou aquilo só para agradar. Sou seu amigo, não seu escravo.

Nós – os chatos – somos assim: não aceitamos nada por imposição. E também não impomos nada a ninguém. “Quer ir, vá, boa sorte!”. Só não fica nessa de me julgar por eu não estar a fim de ir com você.

Tem gente que acha que estamos 24 horas à disposição, como se fôssemos, sei lá, um caixa eletrônico. Precisou, basta entrar, digitar a senha e pegar. Aqui ó! 

O fato de eu ser seu amigo e amá-lo não significa que devo me submeter a todas as suas vontades. Pelo contrário: se, às vezes, discordo de você, de algumas atitudes suas, é justamente porque te amo. Acredite: alguém que concorda com tudo que você faz e pensa e sente não está nem aí pra você.

Lá no passado, fiz muito isso: aceitava certas coisas por imposição, para não ficar "por fora", para não magoar os outros. Hoje não mais. Hoje, se não tô a fim, digo: "não, obrigado". E se te magoei, desculpaí. Não foi por mal. Foi por mim.
 

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