sexta-feira, 5 de abril de 2013

O mundo virou um lugar muito complicado


Não é à toa que estamos mais estressados e permanentemente à beira de um ataque de nervos. O mundo virou um lugar muito complicado.

Veja só: no passado, a gente se sentava à mesa e comia. Agora, para comer, antes precisamos resolver uma série de questões. Quantas calorias têm? É saudável? Devo continuar comendo carne ou virar vegetariano? Ih, agrotóxicos fazem mal à saúde. Melhor optar por alimentos orgânicos. Mas como saber se não usaram defensivos agrícolas na plantação desse tomate? E se eu comer esse tomate, quantos minutos a mais vou ter que correr na esteira? Açúcar ou adoçante? Light ou diet? Integral ou desnatado?

Ai, ai, acho que perdi a fome.

E não é só comer que virou um inferno. Tudo, absolutamente tudo, agora exige de nós algum grau de comprometimento: consigo mesmo ou com o mundo.

Se vou tomar banho, devo contar os minutos para não permanecer tempo demais no chuveiro, desperdiçando água e eletricidade.

Se vou às compras, devo investigar se por trás daquela simples calça jeans não há uma rede de trabalho escravo.

Se vou falar, devo me policiar para não usar palavras hoje “proibidas” que podem ofender as sensibilidades alheias.

Se vou sair, devo ir de transporte público para não aquecer o planeta com o meu carro. Ainda que o transporte público seja uma merda neste país. 

Se vou fumar, devo me isolar em alguma ilha deserta lá na puta que o pariu para não envenenar os fumantes passivos com a fumaça do meu cigarro.

É, gente, percorremos séculos inventando turbinas, robôs, viagras, batatinhas Chips, controles remotos e disneylândias para atender aos nossos desejos de felicidade e, agora, devemos negar esses mesmos desejos pela reconstrução de um suposto "mundo melhor": mais saudável, mais justo, mais equilibrado.  

Antes, a gente podia tudo. Hoje, tudo faz mal. E haja ansiolítico para tanta culpa.

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