segunda-feira, 6 de maio de 2013

Armário


Foi a Neide, minha amiga, quem me falou sobre a canção “Armário”. Não conhecia. É do Zeca Baleiro e critica a homossexualidade não-assumida.

O personagem da música está apaixonado – “ninguém me faz tão feliz” –, diz que quer assumir a sua homossexualidade – “é claro que eu quero, quero mais que tudo” –, mas sente um “medo absurdo” – “medo dos vizinhos, medo da mommy, medo do daddy, medo do irmão, que já foi skinhead”. Por isso, em vez de mostrar a cara, pede para que o outro também se esconda – “já que eu não posso sair do armário, peço que você entre no armário também”.

Assumir-se gay não é uma decisão fácil. Quem já entrou em chats de sexo sabe: há uma quantidade razoável de homossexuais que utilizam o nickname “casado” ou “ksado”. São homens que não foram capazes de assumir e/ou aceitar a própria homossexualidade, casaram-se com mulheres e, às escondidas, saem com outros homens. Escolheram viver na surdina, trapaceando, enquanto as bichas assumidas levam porrada no lugar deles.

Cada um faz o que bem entender da sua vida. Cada um sabe o que é melhor para si. Mas neste momento em que o conservadorismo religioso chega ao cúmulo de propor a volta da “cura gay”, sair do armário é bem mais que mera escolha pessoal. É ato político. É se envolver em uma luta que vai além da própria questão gay.

Afinal, qual país queremos? Este, cada vez mais comandado por políticos que legislam com a bíblia em punho? Ou um país onde os direitos de todos – não apenas dos homossexuais – sejam respeitados?

A humanidade evoluiu. Hoje, não precisamos mais de “livro sagrado” nenhum para nos guiar. Já temos a capacidade de eleger o que é bom e o que é mau para a sociedade. Ou você, em pleno século 21, ainda não sabe que matar é "pecado"? 

Para ouvir “Armário”, do Zeca Baleiro, clique aqui

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