terça-feira, 11 de junho de 2013

Os gays de Amor à Vida


Me divirto imaginando o espanto das beatas ao ligar a TV no horário nobre e se deparar com Felix (Matheus Solano), a “bicha má”, ajeitando a sobrancelha com o dedo mindinho, enquanto faz suas maldades, e com o casal gay mais bafo da história da teledramaturgia brasileira, interpretado pelos galãs globais Marcelo Antony e Thiago Fragoso.

Para cutucar ainda mais a audiência feliciana, o tal casal gay é do tipo “normal” (sem afetação exagerada), bem resolvido, bebe champanhe, é bem-sucedido profissionalmente e – ai, jesus! – quer ter um filho por inseminação artificial, fazendo uso de uma “barriga de aluguel”.

Essa “pouca vergonha” toda é apresentada na novela Amor à Vida, do Walcyr Carrasco, e representa mais um passo à frente, mais um tapa na fuça dos intolerantes. Vale lembrar que, anos atrás, a própria TV Globo teve que explodir um shopping center na novela Torre de Babel para matar as personagens de Christiane Torloni e Silvia Pfeifer, que formavam um casal de lésbicas.

Pois é, nada como o tempo para mostrar que, apesar do suor vencido e fedorento exalado pelos defensores da "moral e dos bons costumes", estamos avançando. E para quem acha que novela é “coisa de retardado”, pergunto: qual outro produto cultural no Brasil tem mais impacto em todos os estratos da sociedade?

Pela primeira vez, o principal vilão de uma novela é homossexual. E escalar dois atores famosos (Antony e Fragoso) que sempre interpretaram personagens galãs para formar um casal gay, acho bastante ousado.

Chupa, Feliciano!
 

Um comentário:

  1. Faltaram personagens negros na obra de Carrasco. Quantos anos mais teremos que aguardar até que tenhamos representação em todas as mídias e que isto não seja uma exigência absurda?

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