quarta-feira, 10 de julho de 2013

A passagem


Para quem se descobre homossexual, existe um tempo de maturação, de entendimento, de dúvidas, de auto-análise, que varia de pessoa para pessoa, até a aceitação plena de sua condição.  

Atravessamos, acredito eu, cinco estágios: da revelação à superação, e essa "passagem" não doeria tanto, não causaria tantos estragos no sistema emocional de meninos e meninas indefesos se a homossexualidade fosse logo entendida por todos apenas como variação natural da sexualidade humana.  

Ser contra a homossexualidade é ser contra a vida. Pense nisso.  

Os cinco estágios:

A revelação
Pode acontecer em qualquer período da vida: na infância, adolescência ou, mais tarde, quando já somos adultos. É sempre um susto quando começamos a perceber que existe “algo” diferente em nós, “algo” que brota de algum lugar desconhecido da alma, à nossa revelia. Não escolhemos, não optamos, não decidimos. Simplesmente sentimos. 

A negação
Nosso primeiro impulso é negar. E fazemos o diabo para reprimir esse desejo, sufocando-o dentro de nós. Sabemos que é “algo proibido”, que é “algo” que, por ignorância, a maioria das pessoas condena. Por esse motivo, por medo de sermos repreendidos, castigados, marginalizados, negamos (a nós mesmos) quem somos.  

A depressão
Ao negarmos quem somos, adoecemos. É barra pesada lutar contra aquilo que sentimos. Embora esse desejo seja tão natural em nós como ter fome ou sede, sabemos que muitos não entendem isso. Convivendo com a culpa, a vergonha e a ideia de “pecado” imposta pela sociedade, isolamo-nos do mundo ou nos falsificamos, inventando para nós uma outra “identidade”. Quando a dor é muita, a saída pode ser trágica.
         
A aceitação
Alguns que se falsificam não conseguem se livrar da outra “identidade” e passam a vida simulando ser o que não são. Outros compreendem que não há como lutar contra aquilo que sentem e desejam, e aceitam a sua natureza. É quando compreendemos também que não há nada de errado em nós, mas em quem é intolerante a nós. Neste momento, assumimos (para nós mesmos) quem somos.

A superação
Revelar a nossa verdadeira identidade para os outros é o último estágio para, enfim, vivermos uma vida plena, sem disfarces nem lamentações. É quando superamos a culpa e a vergonha e encontramos o nosso lugar no mundo. Apesar do preconceito, que jamais vai desaparecer por completo, quando aceitamos a nossa condição, estamos prontos para nos defender de qualquer ataque. Enfim, alcançamos a liberdade de ser quem somos e, de forma espetacular, a vida se torna mais leve, bem mais leve.  
 

Um comentário:

  1. Bem por aí. E precisa-se de coragem para o estágio final.

    Não some que você faz falta na blogsfera.

    Abraços.

    http://leaodegaza.blogspot.com.br/

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