quinta-feira, 4 de julho de 2013

Assuma logo. É melhor


Se me envergonhasse de quem eu sou, não teria este blog, não escreveria o que escrevo aqui. Mas ontem aconteceu algo que me deixou bastante incomodado.

Um velho amigo que não vejo há muitos anos me encontrou no Facebook, pediu meu telefone, me ligou. Falamos por quase duas horas. Em certo momento – como é comum acontecer em reencontros desse tipo – ele perguntou se eu estava casado, se tinha filhos etc. Menti. Respondi que não – embora esteja, sim, casado, só que com um homem.

Em tom de brincadeira, talvez desconfiado da minha “solteirice” enrugada, ele perguntou se eu tinha “virado veado”. Era a deixa perfeita para eu revelar a minha homossexualidade. Mas não o fiz. Travei.

Esse amigo é do tempo em que eu era “hétero” – ou fingia ser (não sei bem). Do tempo em que eu ainda “comia as menininhas da escola”. Tempo que passou, perdeu a validade, escafedeu-se. Hoje, se algum enxerido quiser saber, assumo sem nenhum problema.

E aqui está o aprendizado que tirei desse episódio. Quanto mais cedo você se reconhece gay, aceita sua condição e “sai do armário”, melhor. Evita mal-entendidos e a chatice de ter que revelar, num futuro próximo ou distante, para todos que o cercam. que você não é o que eles sempre pensaram que você era.
  
Eu, depois que parei de brigar comigo mesmo, não tenho mais a esconder. Falo quem eu sou e dane-se quem fizer cara feia. Mas esse velho amigo é como um fantasma do tempo em que eu ainda me escondia. Por esse motivo, acho que travei.

Na próxima conversa com ele, atualizarei meu perfil.
  

6 comentários:

  1. Mas vc comia elas mesmo ou fingia para os outros?

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  2. Excelente texto. Vivo situação parecidíssima, mas você está vários estágios à minha frente, depressão é mato, ansiedade nem se fala. Tem e-mail de contato? Achei seu blog devido ao Exodus e me vi em várias situações. Já estou um pouco agradecido pelos textos que li, sou um membro recente Abraços.

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    1. Obrigado pelo "excelente texto".
      mail: mguinoza@gmail.com
      abs.

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  3. Guinoza muito me inspiras... Assumir para si é de extrema importância antes de assumir para o mundo. São etapas e uma mais difícil que a outra. Sendo eu negro e gay, acredito que para mim e os meus iguais tais etapas são ainda mais complexas e dolorosas porém não menos libertadoras. Te leio sempre.

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    1. Márcio acredito que vivemos situação parecida. Sou descendente de japoneses, o que também dificulta ainda mais as coisas. Abs.

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