quinta-feira, 25 de julho de 2013

Burros emocionais


Entre na seção de autoajuda. Procure por livros que começam com a letra C. Siga um pouquinho mais em frente. Pronto. Você chegou nos livros que ensinam como resolver – em 100, 120, 160 páginas – qualquer problema existencial, amoroso, comportamental, financeiro.

Se você ler todos com atenção e seguir religiosamente os ensinamentos dos autores é bem possível que você se transforme em um “super-homem” ou numa “mulher maravilha”.

Observe os títulos das obras: 

Como aumentar sua auto-estima
Como conquistar as pessoas
Como domar um elefante
Como encontrar o trabalho da sua vida
Como entender o efeito sombra na sua vida
Como fazer alguém se apaixonar por você em até 90 minutos
Como fazer amigos e influenciar pessoas
Como fazer o amor dar certo
Como iniciar uma conversa e fazer amigos
Como manter a mente sã
Como mudar o mundo
Como parar de se preocupar e começar a viver
Como pensar mais sobre sexo
Como reconquistar seu ex
Como se dar bem com as mulheres
Como se defender de ataques verbais
Como se preocupar menos com dinheiro
Como se tornar inesquecível
Como viver a dois
Como viver na era digital
Como Woody Allen pode mudar sua vida

Uau! Até Woody Allen pode mudar as nossas vidas!

São tantos livros “ensinando” tantas coisas que só posso concluir que somos muito muito muito burros. E somos mesmo! Emocionalmente burros. Sofremos dessa burrice incurável que é jamais aprender a lidar com as nossas emoções.

O sujeito pode até ser PhD em assuntos como nanopartículas biodegradáveis para aplicação desmatológica tópica, mas basta ser rejeitado, levar um pé na bunda, falhar na hora "H" para desmoronar inteiro.

A gente sempre sabe qual a melhor atitude a tomar em inúmeras situações. Atitudes simples que evitariam sofrimentos desnecessários. Mas a burrice nos cega, a burrice nos impede de escolher a saída mais inteligente. 

Aí, derrotados, corremos até a livraria mais próxima atrás de um livro que "explique" o que já sabemos. Sim, todo mundo sabe quando fez merda só não admite. E sabe o que precisa fazer para sair da merda – só que prefere ficar esperando por algum "milagre".

Lembre-se: o Woody Allen não está nem aí pra você. 

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