terça-feira, 23 de julho de 2013

Devoção


Vendo a reação histérica dos fiéis com a chegada do papa ao Brasil, tento entender a devoção dessas pessoas que se debulham em lágrimas só de ver Francisco por alguns segundos.

Achei a reação bem parecida com a de fãs do Justin Bieber. Outro tipo de devoção que não compreendo.

Na verdade, não compreendo nenhum tipo de devoção.

Olhando para o papa, nada vejo além de um senhor vestido com uma bata branca acenando para a multidão.

A mim, ele nada representa. Pior: ele representa uma religião, e nenhuma religião (repito: nenhuma religião!) me interessa.

Sou desgarrado de tudo. Desconheço esse sentimento de devoção que alucina as pessoas. Mas entendo que as pessoas necessitem de ilusões para dar algum sentido para as suas existências.

Viver é foda e, para muita gente, só fantasiando a realidade para suportar sua condição.

Crer, por exemplo, que a morte não é o fim, mas simples passagem para uma outra “dimensão”, alivia a frustração de saber que um dia tudo vai acabar em nada.

Alivia a frustração, mas ao mesmo tempo torna as pessoas resignadas, reféns de uma suposta “vontade divina” da qual elas não têm como escapar.  

Ora, não seria melhor negar a ideia de outra vida? Negar que existe algum deus vigiando o que fazemos ou deixamos de fazer?

Leia o que diz Richard Dawkins:

“Ao negar a ideia de outra vida, tomaríamos com mais entusiasmo esta. O aqui e agora não é algo para ser ‘suportado’ antes que venha a salvação ou a condenação. O aqui e agora é tudo o que temos. Uma inspiração para aproveitá-la ao máximo. Então, o ateísmo é uma afirmação da vida, de um modo que a religião nunca poderá ser.”

"O aqui e agora é tudo o que temos". Pense nisso.
 

3 comentários:

  1. A religião pode ser apenas um ópio. Mas acredito ser necessária. Ela traz esperança. Ela traz ordem.
    (na maioria dos casos. Não vamos falar dos fanáticos)
    O cérebro racional precisa de ajuda para suportar a vida em seus momentos de dificuldade. A fé traz esperança.
    Sem ela o mundo seria muito mais violento, teríamos muito mais gente pulando de pontes.

    ResponderExcluir
  2. Primeiro, gostaria de parabeniza-lo pelo blog e suas ideias, que algumas delas compartilho, por isso acompanho, mas a religião é necessária, concordo plenamente com AristótalesB.
    Sem a religião, certamente o mundo seria mais violento.
    Não sou adepto a nenhuma, mas prefiro ver multidões se emocionando com o Papa (mero mortal como todos nós) do que multidões que por não acreditarem em algo superior em que se deve respeitar, seguir princípios que por sinal, são ótimos, cometem atrocidades perante o próximo.

    ResponderExcluir
  3. Sabe, sou Gay e católico, e quando digo que sou católico, falo que sou com muito orgulho. E quando o papa veio ao Brasil eu fui uma dessas pessoas que chorou ao vê-lo. E eu que sou praticante vejo no papa um homem que vem em nome de Deus, que já me deu inúmeras provas de que esta "entre nós". E também não quer dizer que você ou o mundo inteiro não acreditando em que Ele exista, ele ainda vai estar lá. E não, nós cristãos não precisamos de algum tipo de ilusão para dar "sentindo" a nossa existência! Sim, acreditamos em uma vida eterna, pós morte, mas também sabemos que essa vida não tem nada haver com nossa vida na terra e sabemos que a nossa vida aqui um dia acaba... "Do pó vieste e ao pó voltará." E ainda que no final de tudo (da nossa vida) quando tudo se apagar e nada acontecer, o que nós faremos? vamos reclamar? vamos ficar chateados, vamos ficar tristes? acho que não, vamos estar mortos né... Mas eu tenho certeza que isso não vai acontecer. (: E fé não é acreditar em um Deus "invisível", é acreditar naquilo que sentimos, vivemos e sim, vemos! ;)

    ResponderExcluir