sexta-feira, 12 de julho de 2013

O grande truque


Vivemos em um mundo dominado por uma minoria – aqueles que têm grana e poder – enquanto a grande maioria se vira como pode para sobreviver. Essa é a nossa realidade.

Absurdo? Sim. Mas mais absurdo ainda é que achamos natural que o mundo seja desse jeito. Achamos natural viver dentro de um sistema que sabemos ser injusto, desumano, cruel.

“Ah, é assim mesmo!” – falamos.  

Não, não é. Ou podia não ser. Afinal, esse mundo não surgiu do nada. Fomos nós quem o inventamos desse jeito. E se fomos nós quem o inventamos desse jeito, deve haver outras possibilidades de mundo, outras formas de existir menos injustas, desumanas, cruéis. Qual? Não sei. Só sei que é bem estranho em pleno século 21 ver gente passando fome e achar que é natural.

Se esse é o melhor mundo que podemos ter – baseado no “cada um por si e foda-se a humanidade” – não acredito que alcançaremos a tal felicidade que tanto procuramos. Na verdade, cada vez mais nos distanciamos dela, cada vez mais necessitamos de calmantes e soníferos para aliviar as nossas frustrações. E isso tem a ver com esse sistema que nos mantêm permanentemente ocupados em produzir mais para consumir mais.

Basicamente é isso que fazemos dia após dia, ano após ano, até acabarmos esquecidos em uma cova fria e escura. Vendemos nosso tempo, talento, suor, alma por um salário que nunca é justo para podermos comprar bolsas, sapatos, iogurte light – e pagar o aluguel. Pior: nunca estamos satisfeitos porque a cada estação surgem novos desejos de consumo que prometem nos deixar mais felizes.  

E esse é o grande truque desse sistema em que vivemos: fazer cada um de nós acreditar que podemos realizar todos os nossos desejos. Enquanto isso, enquanto nos matamos para conseguir algumas migalhas de felicidade passageira, a minoria que domina o mundo segue celebrando a nossa desgraça com champanhe.

Será que é "assim mesmo" que deve ser?         

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