terça-feira, 9 de julho de 2013

Vendendo deus

 
Queria entender uma coisa: se deus é esse sujeito onisciente, onipresente, todo poderoso que falam por aí, capaz de atender às orações de toda gente, por que as pessoas precisam comprar ingresso para ter acesso a ele?

Vendendo deus à patuleia, comercializando a fé por 1,99, Edir Macedo acumulou fortuna de US$ 1,1 bilhão. O cara é o 41o homem mais rico do Brasil – e nem mora no Brasil. Tem endereço no exterior. É dono de uma emissora de TV (a segunda maior do país) e, de acordo com o UOL, dono também de 49% de um banco do Rio Grande do Sul.

A compra aconteceu há 4 anos, mas só agora a presidente Dilma liberou a negociação. Liberou? Isso significa que Dilma podia ter vetado a compra? Se podia, por que não vetou?

Não vetou porque quer se reeleger em 2014 e está de olho gordo no voto dos evangélicos (42,3 milhões de brasileiros, segundo o IBGE). Não vetou porque virou refém da cambada evangélica do Congresso. Não vetou assim como não se pronunciou sobre o absurdo projeto evangélico de “cura gay” que felizmente acabou arquivado.

Vendendo deus a preço de banana, pastores espertalhões cada vez mais aumentam o seu poder. E se já contam com a bênção até da presidente do país para fazer o que bem entendem (até comprar um banco), não quero estar aqui quando o Brasil virar um grande terreno baldio dedicado a Jesus, onde ninguém poderá falar palavrão, trepar, ouvir Marilyn Manson ou mascar chicletes.

A primeira educação brasileira foi a educação dos jesuítas. E essa educação tinha como lema a obediência: “O ximo da educação consiste em fazer com que alguém lhe obedeça como um cadáver sem vontade própria, para maior glória de Deus”. Quase 500 anos depois, seguimos quase esse mesmo modelo de educação. 

Já escrevi aqui: onde não há escolas, há templos. Ou seja, enquanto o Brasil não fizer uma grande revolução na educação, os mercadores da fé vão seguir aumentando o seu rebanho de “obedientes” e o seu poder de comando.

"Anjos e arcanjos não pousam neste Édem infernal".
   

Um comentário:

  1. A fé, como cantava Milton Nascimento é uma faca amolada. Pode ferir e até matar. A religião se aproveita do inexplicável para ser portadora da verdade "divina" e diz o que quer para lucrar o quanto quiser.
    E quanto à revolução, sim. Precisamos de uma urgente e não que se limite apenas à educação.

    Abraços Marcos. Obrigado por ter lido e respondido ao e-mail.

    http://leaodegaza.blogspot.com.br/2013/03/sentimentos-iv-vertigem.html

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