terça-feira, 29 de outubro de 2013

A mulher velha

Sala de espera de consultório médico é um ótimo lugar para observar o comportamento desse bicho esquisito chamado ser humano. Estive em um consultório hoje, onde "cozinhei" por meia hora na sala de espera e, durante meia hora, a mulher velha não parou de falar nem por um minuto. 

Quando a sua interlocutora foi chamada para o atendimento, a mulher velha imediatamente apontou sua matraca para outra vítima, e continuou falando e falando e falando e falando e falando...

E sobre o que falava a mulher velha?

Ao contrário dos jovens, disse ela, que só sabem falar sobre "futilidades", ela estava mais interessada em "assuntos relevantes": má qualidade da educação brasileira, soja transgênica, gás da Bolívia, meio ambiente, culinária japonesa. 

Quando citou o tofu, a mulher velha olhou para mim, esperando que eu, com meus "olhos puxados", entrasse na conversa, mas eu a ignorei e permaneci calado. A mulher velha, então, informou para a outra que, no Japão, o índice de câncer de mama é baixíssimo devido à alimentação baseada em soja. 

Não sei se tal informação procede e nem procurei saber. 

A mulher velha falava em tom professoral, definitivo, como se tudo que escorria de sua matraca fosse verdade verdadeira. A outra ainda tentava opinar sobre os assuntos, acrescentar ingredientes novos à conversa, mas a mulher velha nem dava bola para os comentários da outra. Seguia com seu monólogo. Sim, aquilo não era um diálogo. Era um monólogo. Só a mulher velha queria falar. Só o que ela falava "importava".

Já esbarrei com outros bichos esquisitos como essa mulher velha. São as pessoas mais chatas do mundo. Falam sem parar e nunca estão interessadas no que você tem a dizer.

Enfim, a mulher velha foi chamada para ser atendida, e fez-se silêncio na sala de espera. A outra, reparei, respirou aliviada assim que a mulher velha se foi.

Um comentário:

  1. E pelo visto você também respirou aliviado. A mulher tinha espírito velho isso sim, aquele em que o novo não serve, o que é novo não serve, Besteiras. Saio de Belchior "mas é você que ama o passado e não que não vê que o novo sempre vê" ou de Raul... "prefiro ser aquela metamorfose ambulante do que ter aquela VELHA opinião formada sobre tudo". Abraços Marcos.

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