terça-feira, 26 de novembro de 2013

Cheio de tudo

A gente acumula coisas demais na vida. Coisas demais! E quanto mais o tempo passa, quanto mais velhos vamos ficando, mais coisas acumulamos.

E que coisas são essas?

Sonhos que nunca realizamos, amores fracassados, projetos que jamais colocamos em prática, mortes de pessoas queridas, escolhas erradas, arrependimentos, culpas.

Acumuladas, essas coisas pesam. E chega um dia que o peso se torna tão grande que arreamos. Aí, a vida para. E se a gente não reagir a tempo, se a gente não se mover um pouquinho que seja a cada dia, afundamos mais e mais no marasmo. 

Passei por muitos momentos assim, quando estava tão cheio de tudo que não era capaz de seguir em frente. Coisas demais acumuladas, sabe? Coisas estragadas, com prazo de validade vencido, que eu, em vez de jogar fora, deixava apodrecer dentro de mim.

Só que o passado "é uma roupa que não nos serve mais". E se a gente sabe que o que ficou para trás jamais vai voltar, de que adianta continuar carregando os escombros das coisas que se foram?

De tempos em tempos, é preciso enterrar o defunto. Olhar para frente. Exorcizar os fantasmas. Libertar-se das culpas. Esvaziar as gavetas para que novas lembranças possam caber ali. 

Esquecer nos torna mais leves. Libera espaços para novas construções.  

Um comentário:

  1. Eu me vejo como um amontoado de lixo inútil ambulante tamanha capacidade de acumular coisas que tenho. Somados a uma memória seletiva que só consegue guardar acontecimentos desagradaveis ignorando por completo os outros, estou sempre em busca de alguém/algo que puxe aminha descarga mental. Infelizmente não consigo fazer isso sozinha. Me identifiquei muito com o texto e eu não conseguiria descrever melhor a expressão " Cheio de tudo"
    Me visite se puder.
    odesassossegodeumadramatica.blogspot.com

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