sábado, 9 de novembro de 2013

Não quero, não vou, não quero

Fui com JK e dois amigos ver a exposição "Cazuza Mostra Sua Cara", no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

Após percorrer a mostra, o visitante pode ser fotografado e escolher o trecho de uma letra do Cazuza para ser sobreposta ao retrato. Escolhi NÃO QUERO NÃO VOU NÃO QUERO. Trecho da canção "Azul e Amarelo", do disco "Burguesia", lançado em 1989.

Podia ter escolhido "mentiras sinceras me interessam" ou "o nosso amor a gente inventa" ou "transformar o tédio em melodia". Mas preferi algo que tivesse mais a ver comigo. Sou assim: se não quero, não vou. E nem adianta insistir porque empaco feito mula.

Sou capricorniano, e capricorniano é osso duro de roer. Teimoso que só.

Pessoas me chamam de chato por eu ser assim. Por eu declarar que não me sinto obrigado a sair sábado à noite só porque todos saem. Por eu preferir dizer "não" a aceitar qualquer merda que me propõem apenas para agradar.

Cazuza foi um dos meus ídolos por viver sua "vida, louca vida" sem o pé no freio e sem medo de quebrar a cara. Saiu do Barão Vermelho em julho de 1985, logo após a banda receber seu primeiro disco de ouro. O cantor poderia simplesmente sentar e relaxar, e seguir com a banda. 

Isso é o que todos esperam de você, que você faça exatamente aquilo que todos esperam. Mas Cazuza, mesmo com o sucesso do Barão, decidiu se arriscar em carreira solo. Começar tudo de novo.

Admiro isso. Admiro quem consegue largar o bom para partir em busca do maravilhoso, daquilo que realmente quer e necessita, sem se importar com a desaprovação alheia, com o que os outros vão fuxicar sobre sua decisão de inverter as expectativas.

Viver do seu jeito não é fácil. Principalmente quando seu jeito de viver não combina com o jeito da maioria feliz e desbotada. No geral, você é acusado pelos outros de "egoísta", de "estraga-prazer", de "antissocial", de ser "do contra", de "não aproveitar a vida da maneira como deveria".

Mas quem esses outros pensam que são para determinar uma maneira padrão de "aproveitar a vida", como se todos tivéssemos um "tamanho único"? 

Desculpa, mas essa roupa da moda não cabe em mim. 
         

Um comentário:

  1. Meu caro Marcos, este capricorniano que vos digita lhe aplaude pelo texto... A frase "não aproveitar a vida da maneira como deveria" me acende o pavio curto da indignação visceral. Cada um que "aproveite" a vida como lhe convier... ou como conseguir. Grande abraço!

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